Diabetes prevenção e reversão


O Paraná é o estado que mais realiza cirurgias bariátricas no Brasil pelo SUS e a fila de espera pode chegar a 5 anos. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica defende medidas emergenciais para conter a obesidade e além de medidas de prevenção da obesidade infantil, estímulo a prática esportiva, tratamento terciário de adultos obesos, preconiza a implementação em larga escala de centros de cirurgia bariátrica para conter a obesidade.
Porém é um procedimento caro, com muitos riscos e complicações, além de perder parte dos seus benefícios ao longo dos anos, visto que muitas pessoas voltam a engordar. Não seria mais fácil orientar a população a se alimentar de forma correta já que diabetes tipo 2 e obesidade são, na grande maioria dos casos, causadas pela alimentação incorreta?

Sobre este assunto Dr Fung avalia as diferentes técnicas de cirurgia bariátrica que mostram a mesma coisa: "em praticamente todos os casos, a diabetes simplesmente desaparece, então o problema não era a doença que seria irreversível, o problema era o nosso tratamento da doença que estava incorreto".

Prevenção da diabetes e Reversão
Artigo original aqui, traduzido por Regiany Floriano.

As associações de diabetes repetem sempre a mesma estória, que o diabetes tipo 2 é uma doença crônica e progressiva. Que é inevitável, como envelhecer. Que gostariam de parar o processo, mas é impossível. Não há esperança de mudar o seu curso. Que não pode ser prevenida e não pode ser revertida. Mas vários estudos e o senso comum mostram conclusivamente que essas afirmações são falsas. Formam uma bela desilusão.

Em 1986, a Organização Mundial da Saúde ajudou a financiar o Estudo de Resultados de Prevenção de Diabetes China Da Qing (China Da Qing Diabetes Prevention Outcomes Study), um estudo randomizado e controlado de intervenções no estilo de vida com duração superior a vinte anos. Durante os primeiros seis anos de intervenção ativa na dieta e exercícios, a incidência de diabetes foi reduzida em 43%. Este benefício persistiu durante o prolongado período de acompanhamento que foi de vinte anos. O início do diabetes tipo 2 foi retardado em média 3,6 anos com dieta e exercícios.

Estudos randomizados e controlados similares com intervenções no estilo de vida mostraram exatamente o mesmo benefício em todo o mundo. Nos Estados Unidos, o Programa de Prevenção de Diabetes reduziu a incidência de diabetes tipo 2 em 58%, mantendo uma perda de peso média de 5% ao longo de 4,8 anos. Após dez anos de acompanhamento continuou a mostrar um benefício substancial de 34%. O Programa Indiano de Prevenção do Diabetes usou modificações no estilo de vida para reduzir a incidência de diabetes tipo 2 em quase 30%. O Programa Finlandês de Prevenção do Diabetes registou uma redução de 58%. Um estudo japonês foi capaz de reduzir a progressão em 67%.

O único fator importante é notar que todos esses estudos bem sucedidos de prevenção são baseados em mudanças no estilo de vida. Diabetes tipo 2 é, sem dúvida nenhuma, uma doença do estilo de vida, então intervenções no estilo de vida são necessárias, não medicamentos. Você não pode usar drogas para prevenir uma doença causada pela alimentação.

A diabetes tipo 2 não é crônica e progressiva. É evitável. Mas ela pode ser revertida?

Lições da Cirurgia Bariátrica

Praticamente todos os especialistas em diabetes, médicos e pesquisadores acreditam que a diabetes tipo 2 é uma doença crônica e progressiva. Uma vez que você tenha diabetes tipo 2, provavelmente vai piorar, não importa o que você fizer. Nenhuma mudança na dieta ou no estilo de vida vai alterar o curso natural desta doença, assim você tem que aceitá-la. Medicamentos podem ajudar a gerenciar a doença, mas não há esperanças de realmente curar ou reverter a diabetes tipo 2.
Esta mensagem de desesperança é encontrada em toda parte. A American Diabetes Association proclama abertamente em seu site que: "Fato: Para a maioria das pessoas, diabetes tipo 2 é uma doença progressiva".

O Diabetes Austrália carrega uma mensagem desanimadora semelhante para os pacientes. Ele diz: "Com o tempo a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 também precisará de comprimidos e muitos também precisarão de insulina. É importante saber que esta é apenas a progressão natural da doença".

Todas estas organizações, que supostamente deveriam representar os interesses dos diabéticos, afirmam que a progressão desta doença é natural e normal. "Progressão" aqui é um eufemismo para cegueira, insuficiência renal, amputações, infecções, ataques cardíacos, câncer e acidente vascular cerebral que acompanham a fase tardia tipo 2 diabetes. Com esta mensagem, os profissionais de saúde espalham a desesperança aos pacientes. "Abandonai a esperança, todos vós que entrais", eles proclamam.
Mas há um grande problema com esses editais de desesperança. Eles simplesmente não são verdadeiros. Eles são mentiras. Diabetes tipo 2 é realmente uma doença dietética reversível, curável. E posso provar isto muito facilmente.

A Cirurgia Bariátrica

A Cirurgia bariátrica é um dos procedimentos destinados a ajudar os pacientes a perderem peso. O primeiro esforço para curar cirurgicamente a obesidade era simplesmente fechar as mandíbulas. A lógica era óbvia, se não muito imaginativa. Este tratamento, porém, foi mal sucedido. Os pacientes ainda poderiam beber líquidos, e bebidas açucaradas ricas em calorias, o que prejudicava a perda de peso. Infecções dentárias e vômitos também eram problemas insuperáveis.

Dr. Payne inaugurou a era moderna da cirurgia de perda de peso em 1963 com a operação de bypass jejuno-cólica. Ele desenvolveu essa operação depois de observar que os pacientes que perderam o intestino delgado por outras razões, como trauma ou tumores, perderam quantidades significativas de peso. O estômago é modificado, mas em vez disso, o intestino delgado, que absorve a maioria dos nutrientes ingeridos, é completamente ignorado. O alimento era reencaminhado do estômago diretamente para o cólon. Como esperado, os pacientes perderam quantidades significativas de peso.

Mas os efeitos colaterais e os problemas operatórios tornaram-se imediatamente óbvios. Os pacientes desenvolveram cegueira noturna por deficiência de vitamina A e osteoporose por deficiência de vitamina D. Diarréia grave e supercrescimento bacteriano, insuficiência hepática e cálculos renais também foram comuns. Diarréia contínua pela gordura mal absorvida levou a escoriações anais e hemorróidas. Não teve graça nenhuma. Complicações graves forçaram a mudança em 1969 para o bypass jejuno-ileal menos intensivo. Mesmo assim, as complicações não eram aceitáveis e esta cirurgia agora é simplesmente uma nota de rodapé na história. No entanto, alguns cirurgiões se consolidaram com o seu sucesso inicial.

Existem dois tipos gerais de cirurgia para perda de peso: de mal-absorção e restritiva. As cirurgias mal absortivas alteram os intestinos para que os alimentos ingeridos não sejam devidamente absorvidos. O primeiro bypass jejuno-ileal do Dr. Payne é um exemplo de cirurgia puramente mal absortiva. Os tipos de cirurgia restritivas colocam algum obstáculo para evitar que os alimentos sejam consumidos.

Anteriormente, em 1925, uma publicação no Lancet relatava que os pacientes com remoção parcial do estômago por úlcera péptica muitas vezes demonstraram perda de peso permanente e a resolução completa do açúcar na urina, agora conhecido por diabetes. Relatórios semelhantes seguiram-se esporadicamente nos anos 50 e 60. Em 1967, o sucesso cirúrgico melhorou quando um componente restritivo foi adicionado à cirurgia bariátrica convencional.

Além do bypass parcial do intestino delgado, parte do estômago foi removida também. A partir da ideia básica, refinamentos adicionais foram adicionados ao longo do tempo, levando à cirurgia de desvio de Roux-en-Y atual, que ainda é considerada a cirurgia de perda de peso mais poderosa disponível. Cerca de 140.000 cirurgias dessas foram realizadas nos Estados Unidos em 2005.


Na cirurgia Roux-en-Y, a maior parte do estômago saudável é removido até que a única porção restante seja aproximadamente do tamanho de uma noz. Isto restringiu severamente a quantidade de alimento que poderia ser ingerido confortavelmente. O segundo passo da cirurgia foi religar o intestino delgado para que qualquer comida ingerida não pudesse ser absorvida adequadamente. Como esta é uma cirurgia combinada restritiva e mal absortiva, ela tende a ser mais poderosa do que as cirurgias mais simples que visam apenas um caminho. Também está associada à muitas complicações, mas não tende a funcionar bem para perda de peso, como você pode imaginar.

Devido à complexidade e complicações do procedimento Roux-En-Y, formas mais simples de cirurgia foram inventadas desde então. A cirurgia popular mais recente é chamada de gastrectomia vertical. Uma grande porção do estômago saudável é simplesmente removida com nenhum dos intestinos sendo cirurgicamente alterado. Esta é um tipo de cirurgia puramente restritiva para perda de peso. Os resultados não foram tão bons como o Roux-en-Y, mas ainda assim foram bons.


A capacidade do estômago para a recepção de alimentos fica reduzida tanto que muitas vezes fica impossível comer. Uma dieta líquida é muitas vezes necessária no pós-operatório. Comer mais do que uma porção minúscula resulta em uma distensão gástrica grave, estufamento de um estômago em miniatura. Isso provoca náuseas persistentes e vômitos. Ao longo do tempo, o estômago remanescente, muitas vezes se estica até que se torne possível comer pequenas refeições.

Remover grandes porções do estômago saudável não é o ideal, então uma banda gástrica foi desenvolvida. Isso envolve a implantação cirúrgica de uma banda que simplesmente envolve o estômago. Como se fosse ajustar um cinto apertado, a banda em volta restringe a entrada de alimentos do estômago e elimina a necessidade de cortar qualquer coisa fora. A faixa de volta pode ser gradualmente apertada ou solta conforme necessário.

No curto prazo, todos os tipos de cirurgia bariátrica são eficazes para perda de peso e diabetes. Estudos a mais longo prazo mostram uma eficácia variada. À medida que o estômago se expande, os pacientes muitas vezes retomam seus hábitos alimentares anteriores, uma vez que a cirurgia não lhes ensinou técnicas adequadas para perda de peso. No entanto, o meu ponto não é elogiar ou condenar estas cirurgias. Como em tudo mais na medicina, elas têm seu lugar. Minha principal questão é o que acontece com o diabetes tipo 2? Em praticamente todos os casos, simplesmente desaparece. Sim, simplesmente desaparece. O problema, então não era que a doença não era reversível, o problema era o nosso tratamento da doença que estava incorreto.



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 As informações contidas neste blog são relatos pessoais, ou artigos traduzidos com as devidas referências, não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer condição médica e não devem ser usadas como um substituto para o cuidado e orientação de um médico / nutricionista.