Antes de gastar com a cirurgia bariátrica, faça isto

Médicos de todo o mundo estão empurrando a cirurgia bariátrica como um novo tratamento para o diabetes. Uma cirurgia invasiva para reduzir o tamanho do estômago ou do intestino, usada para tratar a obesidade mórbida que às vezes é uma companheira próxima do diabetes.

Até o momento, a maioria dos especialistas em obesidade a considerava como último recurso para pessoas que não conseguem perder peso por meios muito menos arriscados, tais como: mudança na dieta, evitando em primeiro lugar os alimentos que contribuíram para a obesidade, ou seja, os carboidratos refinados.

Antes de gastar $ 26.000 em cirurgia para perda de peso, faça isso

Texto publicado no The New York Times e traduzido por Regiany Floriano

Por SARAH HALLBERG e OSAMA HAMDY


No início deste ano, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou um novo procedimento para perda de peso em que um tubo fino implantado no estômago, elimina a comida do corpo antes que todas as calorias possam ser absorvidas.


Alguns têm chamado de "bulimia clinicamente aprovada" e é o que há de mais recente na busca desesperada por novos caminhos para conter as marés crescentes de obesidade e diabetes tipo 2. Cerca de um terço dos adultos americanos estão obesos; dois terços têm excesso de peso; e a diabetes afeta cerca de 29 milhões. Mais 86 milhões de americanos têm uma condição chamada de pré-diabetes. Nenhuma das soluções propostas teve algum efeito perceptível nessas epidemias.


Recentemente, 45 sociedades médicas e científicas internacionais, incluindo a American Diabetes Association, consideram que a cirurgia bariátrica torne-se a opção padrão para o tratamento de diabetes. O procedimento, até agora visto como um último recurso, envolve grampear, ligar ou retirar parte do estômago para ajudar as pessoas a perderem peso. Ele custa de US$ 11.500 a US$ 26.000, o que muitos planos de seguro não cobrem e que não inclui os custos das visitas ao consultório para acompanhamento ou complicações pós-operatórias. E até 17 por cento dos pacientes terão complicações, que podem incluir as deficiências de nutrientes, infecções intestinais e bloqueios.


É um absurdo que estejamos prescrevendo essas técnicas aos nossos pacientes, enquanto as orientações médicas não incluem outro método muito melhor, mais seguro e muito mais barato: uma dieta baixa em carboidratos.


Considerada uma dieta da moda, a segurança e a eficácia da dieta low-carb foram comprovadas em mais de 40 ensaios clínicos em milhares de indivíduos. Com o governo estimando que um em cada três americanos (e um em cada dois de origem hispânica) terão o diagnóstico de diabetes em 2050, é hora de dar a esta dieta de um olhar mais atento.


Quando alguém tem diabetes, não pode mais produzir insulina suficiente para processar a glicose (açúcar) no sangue. Para manter os níveis de glicose mais baixos no sangue, os diabéticos precisam aumentar a insulina, seja tomando medicamentos que aumentem a sua própria produção endógena ou diretamente através da injeção de insulina. Um paciente com diabetes pode ter que tomar quatro ou cinco medicamentos diferentes para controlar a glicose no sangue, com um custo anual de milhares de dólares.


No entanto, há outra maneira, mais eficaz para ter níveis mais baixos de glicose: Comer menos disto.


A glicose é o produto da quebra dos carboidratos, que são encontrados principalmente no trigo, arroz, milho, batatas, frutas e açúcares. Restringindo esses alimentos mantém-se baixa a glicose sanguínea. Além disso, substituindo os carboidratos pelas proteínas e gorduras saudáveis, alimentos que naturalmente dão mais saciedade, muitas vezes se elimina a fome. As pessoas podem perder peso sem passar fome, ou mesmo sem a contagem de calorias.


A maioria dos médicos - e as associações de diabetes - retratam a diabetes como uma doença incurável, prenunciando um declínio constante que podem incluir insuficiência renal, amputações e cegueira, bem como ataques cardíacos com risco de vida e acidente vascular cerebral. No entanto, a literatura sobre a intervenção pobre em carboidratos para a diabetes mostra outra história. Por exemplo, um estudo de duas semanas de com 10 pacientes obesos com diabetes tipo 2 descobriu que seus níveis de glicose se normalizaram e a sensibilidade à insulina melhorou em 75 por cento depois de terem aderido a uma dieta low-carb.


Nas nossas clínicas de obesidade, vimos centenas de pacientes que após a redução de carboidratos, perderam peso e livraram-se dos seus medicamentos. Um paciente com seus 50 anos, pedreiro comprometido pela diabetes, se aposentou do seu trabalho. Ele veio até nós no inverno passado, 45kg de excesso de peso e apavorado. Ele estava tomando insulina prescrita por um médico que disse que ele teria que tomar pelo resto de sua vida. No entanto, mesmo com a cobertura de seguro, seus remédios custavam centenas de dólares por mês, que ele sabia que não podia pagar, da mesma forma que não poderia pagar pela Cirurgia Bariátrica.


Em vez disso, o aconselhamos parar de comer a maioria de suas refeições embaladas cheias de farinha e grãos processados, substituindo estes ingredientes por carne, ovos, nozes e até mesmo manteiga. Em cinco meses, os seus níveis de açúcar no sangue tinham se normalizado, e ele estava de volta ao trabalho em meio período. Hoje, ele já não precisa tomar insulina.


Outra paciente de 60 anos, vinha sofrendo de diabetes tipo 2 há 12 anos. Ela perdeu 15 quilos em um ano em uma dieta low-carb, e foi capaz de parar de tomar três dos seus medicamentos, que incluíam mais de 100 unidades de insulina diárias.


Um pequeno estudo descobriu que 44 por cento dos seguidores da low-carb foram capazes de parar de tomar um ou mais medicamentos para diabetes depois de apenas alguns meses, em comparação com 11 por cento do grupo controle seguindo uma dieta com restrição calórica, moderada em carboidratos, com baixo teor de gordura. Um pequeno estudo semelhante relatou esses números como 31 por cento versus 0 por cento. E nestes assim como outro estudo maior avaliando a hemoglobina A1C, que é o principal marcador para o diagnóstico de diabetes, melhorou significativamente na dieta de baixo carboidrato do que numa dieta com baixo teor de gordura ou de baixa caloria. Claro, os resultados são dependentes da capacidade dos pacientes a aderirem a dietas de baixo carboidrato, e é por isso que alguns estudos têm mostrado que os efeitos positivos enfraquecem ao longo do tempo.


Uma dieta baixa em carboidratos era de fato o tratamento padrão para a diabetes durante a maior parte do século 20, quando a condição foi reconhecida como aquele em que "o aproveitamento normal dos carboidratos está comprometido", de acordo com um texto médico de 1923. Quando a insulina farmacêutica tornou-se disponível em 1922, as recomendações mudaram, permitindo quantidades moderadas de carboidratos na dieta.


No entanto, no final de 1970, várias organizações, incluindo o Departamento de Agricultura e a Associação de Diabetes, começaram a recomendar uma dieta com alta quantidade de carboidratos, de baixa gordura, em linha com a então crescente preocupação (atualmente refutada) que a gordura dietética provocasse a doença arterial coronariana . Essa recomendação tem se mantido para as pessoas com diabetes, apesar de mais de uma dúzia de ensaios clínicos peer-reviewed ao longo dos últimos 15 anos mostrarem que uma dieta baixa em carboidratos é mais eficaz do que uma com baixo teor de gordura para reduzir tanto o açúcar no sangue como os fatores de risco cardiovasculares.


A associação diabetes ainda tem de reconhecer este corpo considerável de evidências científicas. Suas diretrizes atuais consideram "nenhuma evidência conclusiva" para recomendar um limite específico de carboidratos. A organização ainda diz às pessoas com diabetes para manter o consumo de carboidratos, para que os pacientes que usam insulina, não reduzirem demais o açúcar no sangue. Esta condição, conhecida como hipoglicemia, é realmente perigosa, mas pode ser facilmente evitada através da restrição carboidratos e em primeiro lugar, eliminando a necessidade de insulina em excesso. Incentivando os pacientes com diabetes a comer uma dieta com alta quantidade de carboidratos é na verdade uma receita para garantir uma dependência dos  medicamentos ao longo da vida.


Na convenção anual da Associação de Diabetes em Nova Orleans neste verão, não havia uma única referência de destaque para o tratamento com a low-carb entre as centenas de palestras e cartazes divulgando pesquisas de ponta. Em vez disso, vimos dezenas de apresentações sobre medicamentos caros para tratar o açúcar no sangue, obesidade e problemas de fígado, bem como novos procedimentos médicos, incluindo o sistema de drenagem do estômago, tentadoramente chamado AspireAssist, e outra envolvendo o "desgaste da mucosa" do aparelho digestivo pela queima do interior do duodeno com um balão de ar quente.


Devemos aos nossos pacientes com diabetes mais do que uma vida inteira de injeções de insulina e procedimentos cirúrgicos arriscados. Para combater a diabetes e poupar um grande sofrimento, bem como os US$322 bilhões em custos relacionados com a diabetes gastos pela nação a cada ano, os médicos devem seguir uma versão do velho conselho contra danos desnecessários - e recomendar aos seus pacientes a primeiro reduzir os carboidratos.


Sarah Hallberg é diretora médica do programa de perda de peso em Indiana University Saúde Arnett, professora adjunta na escola de medicina, diretora da Coalizão Nutrição e diretora médico de uma start-up de desenvolvimento de intervenções médicas baseadas em nutrição. Osama Hamdy é diretor médico dos programas de obesidade e diabetes em regime de internamento no Joslin Diabetes Center da Harvard Medical School.


______________







Sugestões de livros sobre a Dieta Paleo - Low Carb? Veja aqui


Receba as novidades do Menos Rótulos por e-mail:
 

 Siga MENOS RÓTULOS no Facebook e Instagram

 As informações contidas neste blog são relatos pessoais, ou artigos traduzidos com as devidas referências, não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer condição médica e não devem ser usadas como um substituto para o cuidado e orientação de um médico / nutricionista.