LOW-CARB funciona para DIABETES. Por que mais médicos não recomendam?


Texto original aqui. Tradução Regiany Floriano

Por Marika Sboros

O tratamento do diabetes está num processo de mudança.
Vamos pensar um pouco: as dietas de baixo carboidrato têm demonstrado funcionar muito bem para as pessoas com diabetes tipo 2. Cada vez mais provas mostram que as dietas low-carb,  ricas em gordura podem reverter os sintomas de diabetes completamente, permitindo que muitos diabéticos possam viver sem medicação completamente.
No entanto, muitos médicos, nutricionistas e serviços de saúde do governo, como o Serviço Nacional de Saúde no Reino Unido, ainda não as recomendam.

Você pode perguntar: Por que ainda não?

O escritor de um blog em um site de uma comunidade de diabetes, o diabetes.co.uk, fez esta mesma pergunta - e sugere algumas respostas:

Para começar, ao longo do século 21 e a maior parte da segunda metade do século 20, o enfoque do Departamento de Recomendações Dietéticas da Saúde do Reino Unido tem seguido uma dieta com baixo teor de gordura, chamada de "dieta equilibrada", diz o escritor que se apresenta pelo seu primeiro nome, Benedict.

Ele folheou as diretrizes dietéticas oficiais que seguiram a "pirâmide alimentar", desenvolvidas pelo Departamento de Agricultura dos EUA. A pirâmide recomenda grande quantidade de carboidratos complexos e alimentos com baixo teor de gordura como a base da dieta, e foi devidamente seguida pelo Reino Unido e a maioria dos outros países de língua inglesa. Ela passou por revisões ao longo dos anos, mas permanece firme na alta quantidade de carboidratos, baixo teor de gordura, especialmente a gordura saturada.

Para sabermos dos resultados destas recomendações das dietas com alto carboidrato e baixo teor de gordura, temos apenas que olhar para os resultados ao longo de décadas: as taxas exorbitantes de obesidade, diabetes e doenças cardíacas, para citar apenas algumas das chamadas doenças não transmissíveis (DNT ), que são epidemia em todo o mundo.

Se você ainda acha as dietas low-carb, high-fat (LCHF)  são uma moda para a diabetes, o especialista da Nova Zelândia, Prof Grant Schofield coloca esse mito de lado. Schofield é co-autor de um livro brilhante, What the Fat. Se você ainda não leu, eu aconselho a fazê-lo imediatamente.

Ele também é co-autor de um artigo no New Zealand Journal of Medicine, publicado em abril, intitulado Dietas muito pobres em carboidratos na gestão da diabetes revistas.

Nele, os autores dizem que as dietas pobres em carboidratos têm sido utilizadas para tratar a diabetes tipo 2, desde 1797, e até a descoberta da insulina em 1921, "a restrição de carboidratos ou restrição energética severa, ou ambas, foram os métodos mais confiáveis usados para tratar diabetes".

No abstrato do estudo, os autores dizem que a tendência para as dietas mais elevadas em carboidratos para pessoas com diabetes "pode ter desempenhado um papel na caracterização moderna do diabetes tipo 2 como uma condição crônica, com uma exigência progressiva para vários medicamentos". Em seu artigo, eles introduzem algumas das evidências para dietas muito pobres em carboidratos na gestão de diabetes e discutem objeções comuns à sua utilização.

Uma das maiores razões apontadas pelas quais as organizações de saúde não recomendam as dietas de baixo carboidrato é a falta de evidências sobre a segurança a longo prazo. O problema com este argumento, como Benedict aponta, é que não havia nenhuma evidência sobre a segurança a longo prazo das dietas com alto carboidrato, de baixa gordura, quando foram introduzidas pela primeira vez também, e ainda não há qualquer evidência disponível hoje. Pelo contrário. As epidemias globais de doenças não transmissíveis, também conhecidas como doenças de estilo de vida, sugerem fortemente que as dietas de alto carboidrato, de baixa gordura não são seguras para muitas pessoas.

Benedict aponta para os resultados da investigação no quesito segurança quanto ao baixo teor de gordura, incluindo o Experimento da Iniciativa de Saúde das Mulheres dos EUA (WHI), em 1996, que analisou, ao longo de um período de oito anos, se uma dieta com baixo teor de gordura iria ajudar as mulheres a perderem peso e proteger contra doenças cardíacas. Ele diz com um notável constrangimento que os resultados do WHI foram "julgados decepcionantes com a dieta de baixo teor de gordura não mostrando nenhuma evidência que ajude na perda de peso ou na redução da incidência de doenças cardíacas".

Isso o leva a outra questão importante: Quando é que as recomendações oficiais dietéticas irão "acompanhar a ciência"?

Benedict diz que a Associação Americana de Diabetes divulgou a sua posição em um comunicado em 2013 reconhecendo que uma dieta low-carb tem benefícios.

No Reino Unido, o Diabetes UK recentemente atenuou as recomendações para ingerir grande quantidade de carboidratos complexos em cada refeição. Agora o enfoque maior recai sobre a escolha de uma quantidade adequada de carboidratos com base em uma série de fatores, como idade, nível de atividade e se você está buscando perda de peso ou precisa melhorar seus níveis de glicose no sangue.

No entanto, como a maioria das associações de diabetes em todo o mundo, o Diabetes UK ainda é "gordurofóbico" - diz Benedict, quando referem-se a gordura saturada como "uma forma de gordura que deve ser evitada e não distinguem entre a gordura saturada encontrada em produtos lácteos e a carne da gordura saturada utilizada nos alimentos processados".

Ele recomenda um livro, Reverta o seu Diabetes, o plano passo-a-passo para assumir o controle do diabetes tipo 2 escrito pelo Dr. David Cavan. Cavan trata de diabéticos há 20 anos no SNS e agora é diretor de política da Federação Internacional de Diabetes.

O livro é um passo na direção certa, mas um passo muito pequeno. Pode parecer positivamente conservador em comparação com abordagens low-carb mais radicais. Cavan orienta os leitores a evitarem dietas muito baixas em carboidratos, apesar da evidência crescente para sugerir os benefícios. Wortman e um colega médico canadense e nefrologista Dr. Jason Fung são apenas dois dos que acreditam que as dietas muito baixas em carboidratos são o caminho a percorrer.

Cavan também apóia as recomendações convencionais de 5 porções/dia de frutas e legumes que ainda fazem parte das recomendações dietéticas oficiais, embora ele aconselhe que as pessoas prefiram as suas 5 porções ao dia a partir de vegetais em vez das frutas. E ele, pelo menos, defende a gordura dietética, que segundo ele teve uma má reputação porque "é muito fácil associar os dois e pensar que a gordura nos alimentos faz com que as pessoas engordem".



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 As informações contidas neste blog são relatos pessoais, ou artigos traduzidos com as devidas referências, não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer condição médica e não devem ser usadas como um substituto para o cuidado e orientação de um médico / nutricionista.