Estudo testa o efeito da Dieta Cetogênica no tratamento do câncer de ovário



Em um ensaio clínico em humanos, a UAB  testa o efeito da dieta sobre pacientes com câncer de ovário

Artigo publicado no Medical Express e traduzido por Regiany Floriano.

Uma nova pesquisa realizada na Universidade de Alabama em Birmingham (UAB) mostrou que um determinado tipo de dieta pode ajudar as mulheres com câncer do ovário a perderem peso e melhorarem a sua qualidade de vida e as medidas relacionadas ao câncer.

Os modelos animais têm-se revelado bem sucedidos, e agora, graças a uma bolsa da American Institute for Cancer Research, pesquisadores da UAB estão conduzindo um ensaio clínico potencialmente inovador para ver se pode acontecer o mesmo em seres humanos.

O experimento, conhecido como "Interrupção direcionada do metabolismo do câncer através da modificação dos macronutrientes da dieta", começou em 2014 e é liderado pela Professora e Vice-Presidente de Pesquisa do Departamento de Ciências da Nutrição, Barbara Gower, Ph.D , da UAB Escola de Profissões de Saúde .

"Muitas células cancerosas têm requisitos exclusivos para o metabolismo e crescimento que podem ser explorados para fins terapêuticos", disse Gower, que trabalha como diretora do núcleo de metabolismo para o Centro de Pesquisa de Nutrição e Obesidade  e o Centro de Ciências Clínica e Translacional.

Para se multiplicar, muitas células cancerosas dependem principalmente da glicólise, um processo onde apenas uma parte da energia é produzida pelo metabolismo aeróbio - a criação de energia a partir a combustão de carboidratos, aminoácidos e gorduras na presença de oxigênio, mas fornece carbono para a construção de infra-estruturas de novas células cancerosas. Estas células cancerosas requerem quantidades elevadas de glicose para a mitose e sua proliferação continuada.

A captação de glicose suficiente é promovida pela extrema sensibilidade à insulina e ao Fator de Crescimento semelhante à Insulina tipo-1, chamado de IGF-1, e é facilitada pelas elevações na concentração circulantes destes hormônios.

Em alguns casos, o metabolismo das células do câncer é inibido em condições de metabolismo aeróbico, particularmente quando o corpo produz cetonas, combustíveis alternativos para o corpo, quando se quebra a gordura para a energia durante um processo chamado beta-oxidação.

Os requisitos ambientais e nutricionais exclusivos do células cancerosas podem ser manipulados por meios dietéticos destinados a ruptura direcionada do metabolismo e crescimento da célula cancerosa. 

Especificamente, através da diminuição da ingestão de glicose (açúcar) e alimentos que são rapidamente convertidos em glicose, cria-se um ambiente que não favorece o crescimento das células cancerosas. 

Um tipo de câncer que está fortemente associado com o ambiente metabólico é câncer de ovário.

Estudos clínicos e pré-clínicos limitados têm demonstrado que a dieta cetogênica -  que é extremamente reduzida em alimentos contendo carboidratos - pode reduzir a glicose da dieta, aumentar a produção de cetonas, e inibir o tamanho e a progressão do tumor.

A dieta cetogênica inclui alimentos ricos em proteína e gorduras, como a carne bovina, carne de porco, aves, peixes, ovos, queijos, abacate, azeite de oliva e óleo de coco. Ela também inclui uma variedade de vegetais sem amido, como saladas verdes, vagem, couve e brócolis.

Gower, que diz que há uma forte ligação entre a obesidade e o câncer, e aponta que o corpo humano precisa de muito pouco carboidrato na dieta. Quando os carboidratos da dieta são reduzidos, os níveis de insulina do corpo caem, e isso é essencial para a queima de gordura.

Durante o experimento de 12 semanas, 66 participantes serão distribuídos aleatoriamente em uma das duas dietas - a dieta cetogênica e uma dieta recomendada pela Sociedade Americana do Câncer, que enfatiza a necessidade de grãos integrais, frutas, legumes e carnes e óleos de baixa gordura saturada. 

Os participantes também serão convidados a participar de uma reunião semanal de 60 minutos na Clínica EatRight da UAB. No final das 12 semanas, os participantes terão seu sangue coletado e farão alguns outros testes. O estudo já tem 11 participantes inscritos.

Gower diz que existe uma extrema necessidade de novos participantes, pois os resultados podem afetar não apenas eles, mas as pessoas que no futuro serão diagnosticadas com câncer de ovário. Os participantes também têm a possibilidade de receber como incentivo um plano de alimentação que pode ajudar na perda de peso. Ela espera que os dados obtidos a partir deste experimento possa dar aos pacientes diagnosticados uma opção alternativa ou um complemento à quimioterapia e radiação.


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 As informações contidas neste blog são relatos pessoais, ou artigos traduzidos com as devidas referências, não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer condição médica e não devem ser usadas como um substituto para o cuidado e orientação de um médico / nutricionista.