Considere a Sensibilidade ao Glúten em Crianças com Psicose




Por Dr David Perlmutter

Dificilmente se passa um dia sem que alguém me conte um caso de uma melhora milagrosa em alguma condição médica quando uma pessoa decidiu eliminar o glúten da sua dieta. Sem dúvida, a maioria acharia bastante fácil aceitar a noção de que algumas pessoas podem ter uma melhora, por exemplo, no aspecto gastrointestinal, seguindo uma alimentação sem glúten. Com certeza, nos dias de hoje. aceita-se bem que algumas pessoas com dores de cabeça crônicas também podem melhorar quando seguem uma dieta sem glúten .

Mas a ideia de que uma questão psiquiátrica possa estar relacionada à sensibilidade ao glúten geralmente parece um pouco mais difícil de ser aceita pelas pessoas. No entanto, estamos vendo citações cada vez mais frequentes em respeitados jornais médicos que fazem claramente essa conexão.

Em um relatório recente, publicado na Revista Nutrientes, pesquisadores italianos descreveram o caso de uma menina de 14 anos que foi avaliada por causa de suas crises psicóticas. Sua história médica era de fato bastante normal. Aos 12 anos, ela desenvolveu uma doença caracterizada por uma febre acompanhada de irritabilidade, dor de cabeça e dificuldades de concentração. Durante o próximo mês, os sintomas pioraram e ela começou a ter dificuldades para dormir, bem como alterações em seu comportamento. Seu desempenho escolar piorou. Ultimamente, ela começou a ter alucinações agressivas.

A sua avaliação médica foi extensiva e incluiu uma grande bateria de testes de sangue, uma ressonância magnética do cérebro, e um EEG.

Ela começou a sentir dores abdominais graves que correspondiam com sua confusão, bem como o pensamentos paranoicos. Ela então começou a apresentar uma perda de peso significativa, e nesse ponto um nutricionista recomendou uma dieta livre de glúten. Quase que imediatamente, todos os seus sintomas diminuíram.

Como você pode notar no relatório, os médicos queriam confirmar se seus problemas estavam relacionados à sensibilidade ao glúten. Eles desenvolveram uma forma de reintroduzir o glúten em sua dieta em formato duplo-cego, o que significa que nem ela nem os médicos sabiam quando ela estaria consumindo glúten ou não. Esta avaliação confirmou claramente que a sua sintomatologia era absolutamente relacionada à sensibilidade ao glúten.

Posteriormente, todos os alimentos com glúten foram eliminados da sua dieta e basicamente todos os seus sintomas desapareceram. Isto permitiu que os médicos suspendessem a medicação antipsicótica prescrita. Sua leve alteração no ferro, como demonstrada no seu exame de sangue, também foi normalizada posteriormente.

Os autores concluíram o estudo, indicando que determinar a causa da psicose em uma criança é algo muito desafiador e que nós, como os médicos deveríamos considerar a sensibilidade ao glúten não celíaca como uma possível causa. Para ser claro, isso não quer dizer que a sensibilidade ao glúten seja a causa de todos os problemas psiquiátricos em crianças, mas ignorá-la completamente como uma possibilidade, pode privar a criança de uma intervenção simples, que poderia praticamente curar uma situação psiquiátrica devastadora.

Texto original aqui. Tradução: Regiany Floriano


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 As informações contidas neste blog são relatos pessoais, ou artigos traduzidos com as devidas referências, não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer condição médica e não devem ser usadas como um substituto para o cuidado e orientação de um médico / nutricionista.