Passe a manteiga: Os especialistas estavam todos errados!




Se tivéssemos confiado na natureza em primeiro lugar, em vez das recomendações dos especialistas, muitos dos problemas de saúde atuais poderiam ter sido evitados...
A manteiga não era tão culpada e os óleos vegetais não são tão inocentes...


Texto original aqui escrito por MARGARET WENTE ao The Globe and Mail em 19 Abril de 2016. Tradução: Regiany Floriano

Quando eu era criança, o leiteiro vinha direto à nossa porta dos fundos. Ele nos trazia garrafas de vidro brilhantes de um leite rico e doce com creme espesso. Bebíamos muito leite. Ninguém tinha ouvido falar em desnatado. Nos finais de semana o meu pai preparava para o café da manhã ovos fritos na manteiga, pilhas de bacon e deliciosas salsichas alemãs. Para o jantar, comíamos grandes pedaços de carne gordurosa todas as noites.

Isso foi na década de 1950. Ninguém era gordo, com exceção de uma menina solitária na escola que todo mundo atormentava. A maioria das crianças comia como cavalos e era magra como ancinhos.
Então os especialistas apareceram e declararam que toda esta gordura estava nos matando. O leite integral foi banido da dieta das crianças, para que não desenvolvessem artérias obstruídas e doenças cardíacas na vida adulta. Para manter nosso colesterol sob controle, começamos a racionar os ovos e tratar a manteiga como uma substância tóxica. Trocamos os nossos bifes suculentos e marmorizados pelas massas. Desde a década de 1960, as autoridades nos disseram que uma dieta saudável é uma dieta de baixa gordura.

Os resultados não foram o que eles esperavam. As taxas de obesidade subiram, mas a doença cardíaca não diminuiu. E agora, uma montanha de novas evidências diz que os especialistas estavam todos errados. Um estudo de Harvard descobriu que as pessoas que tinham consumido mais gordura dos laticínios tinham menos chances de desenvolver doenças cardíacas. Pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram que os maiores consumidores de gordura saturada na Europa - os franceses - também têm os corações mais saudáveis. No ano passado, uma grande revisão no BMJ, uma revista médica líder, descobriu que "as gorduras saturadas não estão associadas" com a mortalidade, doenças cardíacas, derrames ou diabetes tipo 2. Como Ian Leslie, escrevendo ao The Guardian colocou: "A promoção das dietas de baixa gordura foi uma moda passageira de 40 anos, com resultados desastrosos, concebidas, autorizadas e policiadas por nutricionistas”.

A história moderna da ciência da nutrição está repleta de controvérsias, teorias falhas, pesquisas com defeitos, interesses escusos, supressão de provas e batalhas ferozes entre a velha guarda e os insurgentes. Eles ainda estão lutando. Mas é claro que muito do que o seu Guia Alimentar diz está totalmente errado.


O maior vilão das dietas modernas não é gordura. É açúcar e carboidratos.

Já em 1972, um bem-educado cientista de nutrição britânico chamado John Yudkin desafiou a sabedoria convencional, argumentando que o açúcar, e não gordura dietética era o que estava fazendo as pessoas a engordarem e adoecerem. Seu raciocínio foi em parte baseado na história: Os seres humanos têm sido carnívoros desde sempre, mas os carboidratos e, especialmente o açúcar, são adições muito recentes à dieta humana.

A teoria de Yudkin fazia sentido, e está passando por um renascimento. Mas, entretanto, como o Sr. Leslie escreveu, ele e sua obra foram brutalmente reprimidos. Até então o estabelecimento da dieta norte-americana estava firmemente nas garras da hipótese de gordura, que tinha sido desenvolvida por um nutricionista americano forte e ambicioso chamado Ancel Keys. Ele tinha todo o poder institucional, e usou para jogar no lixo os seus rivais.

Dr. Keys, que morreu em 2004, também parece ter suprimido evidências inconvenientes. No final dos anos 1960 e início dos anos setenta, ele e uma equipe de pesquisadores conduziram uma investigação maciça sobre os efeitos da dieta sobre milhares de pacientes mentais. Um grupo foi alimentado com uma dieta do "coração saudável", baixa em gorduras saturadas; o outro comeu uma dieta mais típica americana. A dieta especial, de fato, reduziu o colesterol no sangue, o que os pesquisadores chamaram de "evolução favorável". Mas os resultados publicados estavam incompletos. Os resultados completos foram publicados pela primeira vez na semana passada no BMJ, eles contam uma história bem diferente. Os pacientes com a dieta especial, especialmente aqueles com mais de 64 anos, tinha uma taxa de mortalidade maior do que aqueles na dieta regular.

A teoria de Keys está a caminho de ser totalmente desacreditada, inclusive por causa do trabalho de investigação da jornalista Nina Teicholz (autora de The Big Fat Surprise, que representa uma persona non grata entre as autoridades do campo da nutrição). No entanto, o que foi estabelecido ainda está profundamente enraizado no status quo. Reputações e carreiras estão em jogo; milhares de líderes médicos têm seus próprios impérios de dietas.

O que é tão devastador sobre esta história, como o Sr. Leslie aponta, representa a resposta que fornece a uma pergunta simples: Quem nos fez engordar? E não, não foram os vilões habituais – os interesses das grandes industrias de produtos alimentícios, o lobby do açúcar - embora eles certamente desempenharam um papel. Foram as autoridades científicas e os governos que acreditaram neles.

Então Vive la France, e passe a manteiga. Não temos tempo a perder.


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 As informações contidas neste blog são relatos pessoais, ou artigos traduzidos com as devidas referências, não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer condição médica e não devem ser usadas como um substituto para o cuidado e orientação de um médico / nutricionista.