IMC pode não ser um bom Indicador de Saúde

Um novo estudo da UCLA descobriu que as pessoas com altos IMCs (Índice de Massa Corporal) categorizados como sobrepeso ou obesidade, na verdade, podem estar muito saudáveis, de acordo com os marcadores mais confiáveis de saúde.


IMC classifica erroneamente 54 milhões de americanos como "acima do peso" ou "obesos", diz estudo


Por Amina Khan - LA Times

Artigo original aqui Tradução: Regiany Floriano


Boa notícia para alguns na multidão com alto IMC: Um novo estudo da UCLA constata que cerca de 54 milhões de americanos que são rotulados como obesos ou com sobrepeso, de acordo com seu índice de massa corporal estão, sob um olhar mais atento, realmente saudáveis.

Os resultados, publicados no International Journal of Obesity, revelam que os empregadores poderiam estar sobrecarregando as pessoas injustamente com os altos custos de seguro de saúde, tomando como base uma avaliação profundamente falha da saúde real do indivíduo.

"Este deve ser o último prego no caixão para o IMC", disse a autora A. Janet Tomiyama, psicóloga da UCLA.

O índice de massa corporal é calculado dividindo o peso da pessoa em quilos pelo quadrado da altura da pessoa em metros. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, um IMC "saudável" fica entre 18,5-24,9, um IMC acima do peso é 25-29,9 e um IMC obeso tem o valor de 30 ou superior. O cálculo tem sido visto como uma maneira um pouco mais sutil para medir a saúde do que o peso por si só.

Mas ao longo do tempo, os investigadores começaram a suspeitar que as pessoas com os chamados IMC "saudáveis" podem estar pouco saudáveis, e aqueles com um alto IMC podem realmente estar em muito boa forma.

"O público está acostumado a ouvir 'obesidade', e erroneamente ver isto como uma sentença de morte", disse Tomiyama. "Mas a obesidade é apenas um número com base no IMC, e achamos que só o IMC é um indicador terrível e muito imperfeito da saúde de alguém".

Isso seria uma coisa séria, especialmente desde que as regras recentemente propostas pela Comissão pelas Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA permitiriam que os empregadores penalizassem seus empregados com até 30% dos seus custos de seguro de saúde se eles não cumprirem 24 critérios de saúde - que incluem estar dentro de um IMC específico. Se índice de massa corporal não reflete com precisão a saúde daqueles com altos IMCs, estes podem estar sendo sobrecarregados sem motivo.

Para saber se o IMC está correlacionado com os marcadores reais de saúde, uma equipe de pesquisadores da UCLA analisou dados de 40,420 indivíduos que participaram da Pesquisa de Avaliação Nutricional e de Saúde Nacional entre 2005-2012. Eles avaliaram os dados individuais de pressão arterial, triglicerideos, colesterol, glicose, resistência à insulina e valores de proteína C-reativa - marcadores que estão ligadas a doenças cardíacas e inflamação, entre outras questões.

Eles descobriram que quase metade (47,4%) de pessoas com sobrepeso e 29% das pessoas obesas estavam, do ponto de vista metabólico, bastante saudáveis. Por outro lado, mais de 30% dos indivíduos com pesos "normais" estavam metabolicamente doentes.

"A razão pela qual eu acho que as pessoas se baseam no IMC é porque é fácil. Se você sabe o peso de alguém e você sabe a altura de alguém, então surge este número mágico ", disse Tomiyama. "Mas conseguir a pressão arterial é muito fácil também. Demora talvez 20 segundos, se você tiver o medidor. E então eu realmente acho que o foco em melhores marcadores de saúde como a pressão arterial é a melhor maneira de fazer isso - especialmente quando estamos tratando de sanções financeiras".

Os resultados mostraram que o IMC como o principal indicador da saúde significa que 74,9 milhões de adultos nos os EUA estão sendo mal categorizados como saudáveis ou não. (Isso inclui os 34,4 milhões de pessoas que são consideradas acima do peso e os 19,8 milhões de pessoas consideradas obesas, de acordo com o IMC).

"Os formuladores de políticas devem considerar as consequências não intencionais de depender exclusivamente do IMC", escreveram os autores do estudo, "e os investigadores devem procurar melhorar as ferramentas de diagnóstico relacionadas ao peso e saúde cardio metabólica".
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O risco de morrer e de viver com complicações de saúde pode ter mais a ver com o local onde a pessoa carrega sua gordura do que com a quantidade de gordura que uma pessoa carrega, diz um novo estudo.




Forma de pêra vs maçã supera o índice de massa corporal como uma medida de risco

Fonte: LA Times Tradução: Regiany Floriano

Por Melissa Healy - LA Times

Você está carregando um pneu sobressalente em torno de sua cintura. Mas seu índice de massa corporal nem sequer quebrou a barreira do "sobrepeso" de 25, e encontra-se bem abaixo do ponto de corte para a obesidade.

Então não precisa se preocupar, certo?

Errado, diz um novo estudo, que constatou que entre os adultos de 18 a 90 anos em todo o IMC contínuo, ter um formato de maçã aumentou o risco de morte - em particular a morte por doença cardiovascular.

Mesmo nos com IMC acima de 30, onde a obesidade começa, homens e mulheres cuja relação cintura-quadril identificou-os como mais em forma de pera, eram menos propensos a morrer - de qualquer causa e de causas cardiovasculares - do que aqueles com IMC semelhantes que estavam em forma maçã.
                                  
   
 A nova pesquisa, publicada on-line segunda-feira na revista Annals of Internal Medicine, está entre os maiores e mais rigorosos estudos para diferenciar os riscos da obesidade abdominal daqueles que vêm do excesso de peso ou obesos. Para tirar as suas conclusões, os pesquisadores reuniram um estudo de base populacional de 15.184 adultos, com idades entre 18 e 90, que tinham tanto o seu IMC e relação cintura-quadril calculados, e acompanhados por 15 anos para ver quantos morreram de qualquer causa.

Homens e mulheres considerados obesos de acordo com o IMC seriam mais propensos a morrer durante o período de seguimento desde aqueles definidos como um peso normal e aqueles com excesso de peso. Mas em cada grupo, a relação cintura-quadril superou o IMC como preditor de risco de morte.

Obesidade, conforme definido pelo IMC, tem demonstrado conferir um maior risco de uma ampla variedade de doenças, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Mas, enquanto o IMC é um indicador conveniente de condicionamento físico geral, os pesquisadores nos últimos anos se queixaram de que não é o melhor preditor dos riscos de saúde que acompanham os que carregam muita gordura.

Em particular, muitos temem, que isto está dando falsa confiança para muitas pessoas que classificadas com dentro do "peso normal e saudável."

Os riscos de saúde a longo prazo ligados ao IMC, como alguns têm argumentado, parece ser melhor capturado por medidas, tais como relação entre a circunferência da cintura e do quadril, que refletem não só a quantidade de gordura que uma pessoa carrega, mas onde ele ou ela carrega essa gordura. Quando o excesso de gordura está ao redor do abdômen, como muitos já suspeitavam, é mais perigoso do que quando está amplamente distribuída.

A maioria dos que se qualificam como obesos realmente vai ter uma "razão cintura-quadril", que represente perigo. Mas algumas pessoas com sobrepeso e obesas são apenas grandes: sua gordura tende a ser mais distribuída entre os quadris e pernas, peito e braços, e menos concentrada em torno de sua cintura.

Mas muitos que se qualificam como no "peso normal" também carregam muito do seu peso corporal em torno de sua cintura. Com pernas, braços e extremidades traseiras finas, sua circunferência da cintura chega quase a se igualar - e às vezes exceder - o maior perímetro de suas nádegas.

Na nova pesquisa, a obesidade abdominal para os homens foi definida como tendo uma relação cintura-quadril superior a 1,0 para os homens e 0,92 para mulheres. Em forma de pera - estar livre de obesidade abdominal - foi definida como tendo uma relação cintura-quadril de 0,89 para homens e 0,80 para mulheres. A cintura foi medida no "ponto alto da crista ilíaca", e os quadris foram medidos "na maior circunferência das nádegas".

O especialista de Medicina Interna da Clínica Mayo, Dr. Francisco Lopez-Jimenez, principal autor do estudo, disse que a nova pesquisa deve ajudar os médicos a avaliarem melhor os riscos de seus pacientes. A medida do IMC "realmente não está contando toda a história de cada paciente", disse Lopez-Jimenez.

Uma paciente com IMC acima de 30, certamente tem riscos relacionados com a obesidade, disse Lopez-Jimenez. Mas se a razão cintura-quadril dela sugere que ela não tenha obesidade abdominal, posso discutir com ela sobre os riscos mais concentrados em mobilidade e qualidade de vida do que sobre as doenças cardíacas.

Se um homem com uma barriga saliente e um IMC de 22 entra em seu consultório, Lopez-Jimenez acrescentou, ele sabe agora que não deve perder a oportunidade de alertar o paciente sobre o risco cardiovascular e diabetes.

"Há grandes chances de que esta pessoa esteja bem feliz com sua aparência, e se sinta muito mais saudável porque está mais magra do aqueles que a rodeiam. Então vai pensar: 'Eu estou bem, não importa o que eu como, ou quão pouco eu me exercito’", disse Lopez-Jimenez. "Antes deste estudo eu teria muita dificuldade em convencer o paciente que ele estaria em risco, porque de certa forma isso é o que a sociedade esteve dizendo a ele. É uma falsa sensação de segurança". 


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