EVIDÊNCIA SUGERE QUE O CONSUMO DE AÇÚCAR TEM UM MAIOR IMPACTO NA DOENÇA CARDÍACA DO QUE A GORDURA SATURADA


Artigo original Evidence suggests sugar consumption plays greater role in heart disease than saturated fat, publicado no Medical Express em 13/01/2016 e traduzido por Regiany Floriano.


A Doença Cardíaca Coronária Aterosclerótica (DCC) é a responsável por uma em cada seis mortes nos Estados Unidos, bem como é a principal causa de morte em todo o mundo desenvolvido. Os profissionais de saúde por muitos anos procuraram limitar e controlar a DCC, concentrando-se na prevenção e, do ponto de vista dietético, limitando as gorduras saturadas.

Em um artigo publicado na revista Progress in Cardiovascular Diseases (Progresso nas Doenças Cardiovasculares) do Instituto do Coração Mid America de Saint Luke, o cientista de pesquisa cardiovascular James J .. DiNicolantonio, PharmD, e James H. O'Keefe, MD, analisaram a questão e se concentraram na coisa errada para saber saber se o açúcar tem um maior impacto sobre a doença cardíaca coronária do que a gordura saturada.

A teoria da gordura saturada na dieta como o principal promotor do colesterol elevado e doenças cardíacas decorre de pesquisa do início da década de 1950 por um cientista americano Ancel Keys. Essa teoria é que foi aceita pela Associação Americana do Coração e pelo governo federal dos EUA nos anos 1960 e 70. No entanto, simultaneamente à pesquisa de Keys, o fisiologista britânico John Yudkin, argumentou que a ingestão de açúcar estaria mais intimamente relacionada com a incidência de mortalidade e DCC.

Ambos, Yudkin e Keys, foram capazes de sustentar suas teorias através de estudos observacionais em grande parte porque as pessoas comem comidas, não componentes de alimentos isolados. As fontes dietéticas de gordura saturada, muitas vezes também são fontes alimentares de açúcar e as pessoas que comem muito açúcar frequentemente também comem muita gordura saturada.

Juntamente com o co-autor, Sean C. Lucan, MD, MPH, MS, do College of Medicine Albert Einstein, DiNicolantonio e O'Keefe avaliaram a evidência que vincula as gorduras saturadas e açúcares com a DCC até a presente data, considerando a ciência básica, epidemiologia e dados de ensaios clínicos relacionados com o risco de DCC, eventos coronarianos e mortalidade por DC. Os autores concluíram que o consumo de açúcar, particularmente sob a forma de açúcares refinados adicionados, é um importante contribuinte para a doença coronária, mais do que as gorduras saturadas.

"Embora os estudos originais sobre os quais se baseavam as orientações de longa data foram em grande parte observacionais", disse DiNicolantonio, "agora temos mais de meio século de dados, bem como uma maior compreensão dos impactos nutricionais no corpo e especificamente na doença cardíaca coronária".

Os aspectos metabólicos dos ácidos graxos saturados (SFAs) são complexos, mas a investigação existente sugere que certos SFAs podem realmente conferir benefícios mensuráveis para o perfil lipídico e risco de DCC. Por exemplo, alguns SFAs aumentam a lipoproteína de alta densidade (HDL), que muitas vezes é referida como o colesterol "bom", assim como esta lipoproteína está associada a um risco reduzido de DCC.

Substituir as gorduras saturadas, ou qualquer outro componente da dieta de alguém, quase inevitavelmente significa substituí-la por outra coisa. Quando os carboidratos, particularmente os carboidratos refinados como o açúcar, substituem as gorduras saturadas, podem ter um impacto negativo no perfil lipídico (o HDL tende a cair e os triglicerídeos tendem a subir).

Tal como referido anteriormente, as pessoas não comem ácidos graxos isolados - elas comem alimentos que são uma mistura de vários ácidos graxos e outros componentes alimentares. Enquanto o consumo elevado das carnes processadas pode aumentar o risco de doença coronariana, o maior consumo de fontes de gordura saturada derivadas do leite, não só não representa qualquer risco, mas, na verdade, pode diminuir o risco.

Consumir uma dieta rica em açúcar por apenas algumas semanas demonstrou trazer inúmeras anomalias detectadas nos pacientes com doença arterial coronariana, tais como o colesterol total elevado, triglicerídeos, LDL, LDL oxidado, ácido úrico, resistência à insulina e intolerância à glicose, HDL baixo, e alteração da função plaquetária. O efeito global de consumir uma dieta elevada em açúcar nestes numerosos marcadores de saúde, provavelmente seja mais prejudicial para a saúde global em comparação com o aumento do consumo de gorduras saturadas, que pode aumentar o LDL, mas ao mesmo tempo eleva o HDL.

Frutose Adicionada - geralmente sob a forma de sacarose (açúcar de mesa) ou xarope de milho rico em frutose (HFCS) aos alimentos processados e bebidas, parece potencializar os danos. O consumo desses açúcares pode levar à resistência a leptina, que é um hormônio chave na manutenção do peso corporal normal. O alto consumo de frutose, sem dúvida, incrementou a elevação do risco da obesidade, que também é um fator de risco para doença coronariana.

O excesso de frutose também aumenta significativamente o risco de doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA ou Esteatose Hepática) - a doença de fígado mais comum nos EUA, e um forte fator de risco independente para doença arterial coronariana. A associação entre a Esteatose Hepática e DCC é mais forte que a ligação entre doença coronária e tabagismo, hipertensão, diabetes, sexo masculino, níveis elevados de colesterol ou síndrome metabólica.

Açúcares naturalmente presentes nas frutas e vegetais não representam um risco aumentado para a doença coronariana. O problema são os açúcares refinados - dos alimentos ultra-processados sendo a maior preocupação. Os produtos com adição de açúcar representam 75% de todos os alimentos e bebidas embalados nos EUA e mais os que mais comumente contêm sacarose ou HFCS, o que parecem aumentar o risco de DC até mais do que outros açúcares como a glicose.

Uma dieta rica em açúcar também demonstrou promover a pré-diabetes e diabetes. E pacientes com ambas as condições têm um risco muito maior de DCC comparados a pacientes saudáveis, particularmente um estreitamento grave da artéria coronária esquerda.

Os alimentos ultra processados também tendem a ser fontes de gorduras saturadas, mas os danos associados com a ingestão destes produtos podem não ter nada a ver com a gordura e tudo a ver com os próprios alimentos processados. Portanto, o melhor conselho é evitar alimentos processados, em vez de simplesmente evitar os SFAs, assim como evitar os SFAs pode afastar as pessoas dos alimentos que além de saudáveis, na verdade, são benéficos (como os alimentos lácteos), mas também direcionar as pessoas para os alimentos que podem ser prejudiciais - ou seja, com baixo teor de gordura, ultra processados, com enormes quantidades de açúcares adicionados escondidos.

"Depois de uma análise aprofundada das evidências, parece adequado recomendar às diretrizes alimentares para mudarem as recomendações para reduzir a gordura saturada, para recomendações para evitar os açúcares adicionados", disse o Dr. DiNicolantonio. "As recomendações mais importantes devem apoiar a ingestão de alimentos integrais sempre que possível, e a necessidade de evitar alimentos ultra processados".

Maiores informacões: "The Evidence for Saturated Fat and for Sugar Related to Coronary Heart Disease" James J. DiNicolantonio, Sean C. Lucan, James H. O'Keefe. DOI: doi:  10.1016/j..pcad.2015.11.006

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