Devo contar calorias?

Mais importante que contar calorias é se preocupar com a qualidade delas!


Artigo publicado na Revista Time em 14 de outubro de 2015, na coluna: 
Você perguntou: Devo contar calorias? O original está aqui.

Por Markham Heid

Mesmo se você pudesse ser preciso, o que realmente não pode, contar calorias é inútil para perda de peso e prevenção de doenças.

Vídeo produzido pela Revista Time e traduzido pelo Canal Paleo

Depois da criação de programas populares de dieta e orientações nutricionais, a contagem de calorias perdeu créditos com os especialistas em alimentos. Do ponto de vista básico de valores, "a contagem de calorias simplesmente não pode ser feita com precisão," diz a Dra. Marion Nestle, professora de alimentação e nutrição na Universidade de Nova York e autora de Por que Contar Calorias (Why Calories Count).

Por um lado, a quantidade de calorias listadas nos rótulos nutricionais dos alimentos industrializados nem sempre são precisas. De acordo com o FDA, um valor calórico só estará fora de conformidade, se o número real de calorias do alimento for 20% maior do que o que está no rótulo. Mesmo se você pudesse se basear nessas contagens de calorias, tentar avaliar quanto você recebe e quanto gasta por dia cada dia é quase impossível, diz a Dra Nestle.

Entraves matemáticos à parte, muitos pesquisadores de nutrição agora argumentam que as calorias não são dignas da sua atenção. Na verdade, alguns evitam completamente o termo "calorias"  porque se tornou cheio de conotações incorretas ou prejudiciais sobre dieta, nutrição e saúde.

"Se você entrar em nossa clínica e disser a palavra 'caloria', nós o jogaremos para fora," diz o Dr. Robert Lustig, diretor do Programa de Avaliação de Peso para a Saúde da Criança e do Adolescente (WATCH) na Universidade da Califórnia, em San Francisco. Lustig também é autor de Fat Chance: Beating the Odds Against Sugar, Processed Food, Obesity, and Disease (Chance da Gordura: Batendo as Vantagens contra o Açúcar, Comida Processada, Obesidade e Doença).

O problema desta obsessão com a palavra com a letra C, diz Lustig, é que você está ignorando bioquímica e comprando a ideia errada de que todas as calorias são iguais. Elas não são. "Diferentes alimentos são metabolizados de forma diferente, absorvidos de forma diferente, convertidos em gordura ou energia de forma diferente e aumentam ou diminuem o seu risco de doenças de forma diferente", diz ele. Concentrando-se nas calorias apenas, ignora-se toda essa complexidade.

Lustig e outros especialistas também discordam da antiga abordagem para perda de peso "calorias que entram, calorias que saem" (gastar mais que come). "As pessoas pensam que comer em excesso faz engordar, quando na verdade é o processo de ganho de peso que faz você comer demais," diz o Dr. David Ludwig, professor de nutrição na Harvard School of Public Health (Escola de Saúde Publica de Harvard).

O próximo livro de Ludwig, Always Hungry (Sempre Faminto), descompacta e refuta muitas das concepções errôneas prejudiciais que as pessoas têm sobre calorias e controle de peso. "Quando você está ganhando peso", diz ele, "algo provocou as suas células de gordura para que armazenem muita energia, o que não deixa o suficiente para o resto do corpo." Esse "algo" é muitas vezes o hormônio insulina. Quando a resposta do seu corpo à insulina está fora de controle ", cortar calorias pode piorar o problema", diz Ludwig.

Por outro lado, comer o tipo certo de alimento pode moderar a resposta à insulina do seu corpo e fazer com que as células de gordura se acalmem. "As células se abrem e liberam sua energia, que inunda de volta o corpo", diz Ludwig. "A fome diminui, o metabolismo acelera e o ganho de peso não é uma luta porque você está trabalhando a favor, e não contra o seu corpo."

Em outras palavras, as pessoas têm se preocupado com a quantidade, quando deveriam se preocupar com a qualidade.

"A qualidade de nossas calorias, ou seja, os tipos de alimentos que comemos, tem um efeito importante tanto se nós ganhamos ou perdemos  gordura corporal," diz o Dr. Walter Willett, que preside o Departamento de Nutrição na Universidade de Harvard. "Alguns alimentos nos deixam mais satisfeitos do que os outros, e também a resposta de insulina aos alimentos, que pode influenciar a forma como nós metabolizamos ou armazenamos essas calorias".

Juntamente com Willett, tanto Lustig e Ludwig destacam os carboidratos refinados da maioria dos salgadinhos e produtos processados, e especialmente o açúcar como um dos principais condutores das respostas pouco saudáveis da insulina, que favorece o ganho de peso. Independentemente de suas contagens de calorias ", alimentos que aumentam a insulina são o adubo definitivo da célula de gordura ", diz Ludwig.

Ao mesmo tempo, alimentos integrais e não processados, incluindo muitos que são gordurosos e calóricos suavizam a resposta de insulina e neutralizam o ganho de peso. "Não é coincidência que a obesidade explodiu quando tivemos que cortar a gordura e substituir por açúcar e amido", diz Ludwig. "A boa notícia é que não há problema em comer exuberantes comidas deliciosas com coisas que já foram banidas como azeite de oliva, nozes, abacate, chocolate e até mesmo a carne das coxas de frango".

Ele acrescenta: "Alimentos integrais são digeridos lentamente e não causam um grande aumento da insulina. Comê-los vai te colocar no caminho em direção a uma dieta saudável".
O resto de nós já faria bem ao cortar a palavra "caloria", mas não cortar as próprias calorias das nossas bocas.
_________________________




 Siga MENOS RÓTULOS no Facebook e Instagram
 As informações contidas neste blog são relatos pessoais, ou artigos traduzidos com as devidas referências, não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer condição médica e não devem ser usadas como um substituto para o cuidado e orientação de um médico / nutricionista.