A OMS ERROU SOBRE A CARNE VERMELHA E DEVE SILENCIAR O ALARME

Em 26 de outubro de 2015, a Organização Mundial de Saúde declarou o consumo de carne vermelha como sendo "provavelmente cancerígeno para os seres humanos, com base em evidências limitadas de que o consumo de carne vermelha causa câncer em humanos", e declarou a carne processada como "cancerígena para os seres humanos, com base em provas suficientes em humanos, de que o consumo de carne processada provoca câncer colorretal." A associação com a carne vermelha foi observada principalmente para câncer colorretal.

Já tocamos neste assunto neste artigo onde as fontes foram avaliadas e agora mais uma publicação questiona a OMS e pede a correção do erro.





Um falso alarme sobre a carne vermelha e câncer
Artigo traduzido por Regiany Floriano, o original está aqui.

Dois ensaios clínicos foram testados para grandes evidências ea OMS ignorou ambos, escreve Gordon Guyatt, professor da Universidade McMaster.

Este mês, a Organização Mundial de Saúde anunciou que comer carne vermelha é uma atividade repleta de riscos, e os consumidores no Reino Unido, estão pelo menos, não arriscando. Três semanas após a OMS ter anunciado que as carnes processadas podem ser comparadas com cigarros como uma causa "convincente" do câncer, as vendas britânicas de salsichas embutidas caíram cerca de 16 por cento. Mas a OMS exagerou no caso, de uma maneira que poderia até mesmo criar seus próprios riscos.

Há três maneiras de dizer se uma substância provoca câncer. A primeira, que não pode ser invocado por si só, é saber se há um mecanismo bioquímico plausível que conduza à doneça desde a exposição à malignidade. Aqui, a OMS achou que a evidência era moderada a forte. O segundo tipo de provas, testes em animais, não deu motivos para preocupação. A alimentação dos animais com uma dieta rica em carne vermelha não lhes provocou câncer.

Assim, a OMS se apoiou na terceira fonte: dados epidemiológicos. Seu grande sucesso foi na ligação entre o tabagismo ao câncer. Nesse caso, os fumantes enfrentam um risco de contrair câncer de pulmão entre 9 e 25 vezes maior do que não-fumantes. A menos que os riscos relativos sejam maiores do que cinco, estudos epidemiológicos normalmente fornecem apenas uma evidência de baixa qualidade. A decisão sobre a carne foi baseada em riscos relativos de apenas 1,17-1,18. 
Olhando para a população como um todo, o risco de vida de contrair câncer de cólon é menor que 4,5 por cento. Um risco relativo de 1,17 eleva para apenas a 5,3 por cento.

Forçar a credibilidade científica em uma conexão causal entre carne vermelha e câncer fez um desserviço ao público . As últimas décadas, estão repletas de políticas baseadas nos fracos riscos relativos e que, quando testadas em ensaios clínicos, tiveram de ser revertidas.

Fracas associações não são confiáveis porque elas poderiam muito bem ser devido ao viés associado com qualquer número de fatores na dieta ou estilo de vida. Por exemplo, o conselho de tomar vitaminas antioxidantes A e E foi baseado em dados epidemiológicos com reduções modestas em riscos relativos de câncer, em pessoas que tomaram as vitaminas. No entanto, ensaios clínicos randomizados não mostraram nenhum benefício para a redução do câncer, demonstrando que não houve nenhuma conexão causal. As pessoas que tomam vitaminas têm menores taxas de câncer, mas não tem nada a ver com vitaminas: fatores relacionados ao estilo de vida e genética e situação sócio-econômico podem ser responsáveis.

O mesmo vale para a carne. Os vegetarianos tendem a ser as pessoas mais ricas, que fumam menos e se exercitam mais. Ensaios clínicos randomizados fornecem as informações mais confiáveis sobre conexões causais. Dois ensaios clínicos grandes estudaram a ligação entre carne vermelha e câncer - e a OMS ignorou os dois. Entre eles, estudos que testaram uma dieta pobre em gordura e rica em frutas e legumes, com redução do consumo de carne vermelha, em mais de 50.000 pessoas.
No primeiro, os pesquisadores não encontraram nenhum efeito sobre a recorrência do câncer colorretal. E no final do segundo, não houve qualquer efeito sobre qualquer um dos tipos de câncer. Talvez estes ensaios não tenham durado tempo suficiente. Mas eles são os melhores dados que temos atualmente.

As consequências da decisão da OMS podem ser enormes. O governo dos EUA pode decidir eliminar a carne processada dos programas financiados pelo governo federal e instituições públicas. Produtos à base de carnes podem ter que levar etiquetas de advertência ao câncer. Os cientistas podem estar menos dispostos a realizar ensaios clínicos sobre os efeitos na saúde de uma substância que tenha sido declarada como cancerígena - impedindo-os de coletar provas mais convincentes sobre os efeitos da carne processada na saúde. As pessoas podem ser impedidas de comer carne vermelha, que é uma boa fonte de nutrientes - uma troca que pode não valer a pena, mesmo para os mais cautelosos. Esta é uma situação sombria para a ciência e para a política de saúde pública. A OMS cometeu um erro. Ela deve silenciar o alarme.




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