Os Jardins de Vitória , auto suficiência em tempos difíceis





A Lei de 1917 do controle de alimentos e combustível  foi uma medida de emergência de guerra que o presidente Wilson estipulou no meio da Primeira Guerra Mundial. Era destinada a conservar os recursos em casa para que mais suprimentos pudessem ser enviados para as tropas na Europa. 

Junto com o cultivo em casa nos "jardins de guerra" ou “jardins de vitória” ("victory gardens"), cidadãos do país foram incentivados a praticar as “terças-feiras sem carne", "sábados sem doces" e segundas-feiras e quartas-feiras "sem trigo". Esta lei foi revogada em 1921.

É interessante observar que o que o governo americano estava propondo em 1917, reflete tão de perto o que muitos movimentos ambientalistas se esforçam hoje: estimular a compra de produtores locais, a redução do consumo de carne, trigo e açúcares processados, menos desperdício e fazer melhor uso do que se tem.

Cartaz inglês estimulando a população civil a poupar duas fatias diárias de pão para ajudar a derrotar a Alemanha. 1914-1917. Acervo do Museu da Guerra do Canadá.

O que comiam os soldados


A ordem era evitar o desperdício. Sobras de comida eram vendidas aos fazendeiros das regiões ocupadas. Toda a gordura animal que não pudesse ser consumida era guardada para a fabricação de explosivos. Para fazer com que o bacon durasse mais e não diminuísse ao ser frito, as fatias eram empanadas em aveia ou farinha, o que estivesse disponível. Para reaproveitar o pão seco e duro, era preciso colocá-lo em água fria e depois assá-lo novamente por cerca de uma hora. Outra possibilidade era mergulhar as fatias em leite e então assá-las.
Cozinha em uma trincheira inglesa


As condições alimentares nas trincheiras da Tríplice Entente (França e Inglaterra. A Rússia se retirou da guerra em 1917) mudaram com a entrada dos Estados Unidos no conflito. Os soldados americanos desembarcaram com um generoso suprimento de comida que incluía carne enlatada, doces, biscoitos, pão e derivados de leite. Ainda assim, o desafio era manter a comida a salvo da umidade, dos ratos e das baratas.



Mas as Guerras continuaram...

E foram disputadas longe dos EUA, então eles precisavam enviar tudo que seria consumido pelas tropas desde a travessia do mar. Devido ao grande contingente de soldados, muito alimentos eram gastos, o que poderia ocasionar a escassez de comida no país. Para evitar isso, eles recorreram novamente aos “Jardins da Vitória”, onde os cidadãos deveriam plantar comida em seus jardins, para que mais alimentos industrializados sobrassem para serem enviados com as tropas.

Como parte do esforço de guerra, o governo racionou alimentos como açúcar, manteiga, leite, queijo, ovos, café, carne e produtos enlatados. A escassez de mão de obra tornou difícil a colheita e o transporte de frutas e verduras para o mercado. Então o governo voltou-se para os seus cidadãos e os encorajou a plantarem, para que as pessoas produzissem suas próprias frutas e legumes.

Agências governamentais, fundações privadas, empresas, escolas e empresas de sementes todos trabalharam juntos para fornecer terra, instrução e sementes para os indivíduos e comunidades para cultivar alimentos.
Cidadãos americanos atendendo ao chamado e comprando sementes. 1943
Desde a Califórnia até a Flórida, os americanos araram quintais, terrenos baldios, parques, campos de beisebol, pátios escolares para formarem as hortas. Crianças e adultos fertilizando, plantando, capinando, e regando a fim de colher uma abundância de vegetais. Para os jovens era como poder fazer a sua parte. Eles faziam parte do esforço.

Cartazes coloridos e artigos frequentes em jornais e revistas ajudaram a divulgar e encorajar as pessoas a plantarem. O objetivo era produzir alimentos frescos o suficiente durante o verão para a família e vizinhos. Qualquer excesso de produção deveria ser armazenada em conservas para o inverno e início da primavera até que os produtos dos jardins de vitória do próximo ano estivessem maduros.

Ao longo dos anos da Segunda Guerra Mundial, surgiram milhões de jardins de vitória de todas as formas e tamanhos produzido alimentos em abundância para as pessoas da região.
Em pouco tempo, o consumo geral de alimentos no país caiu em 15%. Isso foi resultado da adesão de 20 milhões de pessoas na campanha, que possibilitou o envio de comida para fora do país sem maiores problemas.




O Resultado dos Jardins de Vitória

 O Departamento de Agricultura dos EUA estima que mais de 20 milhões de jardins de vitória foram plantados. Frutas e legumes colhidos nesses lotes caseiros e na comunidade chegaram a 9, talvez 10 milhões de toneladas, um valor igual a toda a produção comercial de legumes frescos. Assim, o programa fez a diferença.

A Segunda Guerra Mundial terminou, assim como o incentivo do governo americano para manterem os jardins de vitória. Muitas pessoas não plantaram suas hortas na primavera de 1946, mas a produção da agricultura ainda não tinha voltado ao normal para atender o mercado, e o país sofreu escassez de alguns alimentos.

Os jardins se foram, mas pôsteres, pacotes de sementes e catálogos, folhetos, fotos e filmes, artigos de jornais e diários, e as memórias das pessoas ainda continuam a contar a história dos jardins de vitória.

Hoje em dia, quem pode ter uma horta em casa, tem alimentos de qualidade, sem agrotóxicos, com menor custo e aproveitando o próprio lixo orgânico como adubo. Além de tudo isto, é uma ótima terapia!




Fontes:



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