Você não pode correr mais rápido do que uma má alimentação

foto: Veja
Já está comprovado por várias autoridades no assunto, que a causa da obesidade é o excesso de carboidratos consumido pelas pessoas. Se em vez de 150 gramas a mais de carboidratos por dia, as pessoas tivessem ingerido 150 de gordura ou proteína nas últimas décadas, a obesidade e outras doenças metabólicas não estariam no auge das doenças da modernidade.

Assim como aconteceu no passado com a industria do cigarro, as propagandas em massa pelas indústrias alimentícias, só causaram estragos na saúde da população. E agora, quem vai pagar esta conta? Está na hora de dar um basta nisto tudo!


Hoje, o British Journal of Sports Medicine divulgou um artigo com o título: "It is time to bust the myth of physicalinactivity and obesity: you cannot out run a bad diet" , traduzindo:"É hora de acabar com o mito da inatividade física e obesidade: Você não pode superar uma dieta ruim", que é uma das principais afirmações feitas pelos peritos e médicos sobre o assunto, incluindo Tim Noakes. 



As recomendações? 



Acabar com o excesso de açúcar e dietas ricas em carboidratos, que são as verdadeiras causas da epidemia de obesidade.




É hora de acabar com o mito da inatividade física e a obesidade: você não pode correr mais que uma má alimentação. 
A Malhotra,1 T Noakes,2 S Phinney3


(Texto traduzido por Regiany Floriano. O original está aqui.)


Um relatório recente da Academy of Medical Royal Colleges do Reino Unido descreveu como "a cura milagrosa" realizar 30 min de exercício moderado, cinco vezes por semana, como ser mais poderoso do que muitos medicamentos administrados para o tratamento e prevenção de doenças crônicas (1).

A atividade física regular reduz o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular, diabetes do tipo 2, demência e alguns tipos de câncer em pelo menos 30% das pessoas.

No entanto, a atividade física não promove a perda de peso. Nos últimos 30 anos, a obesidade aumentou rapidamente, tem havido pouca mudança nos níveis de atividade física na população Ocidental (2).  Isso coloca a culpa das cinturas crescentes diretamente sobre o tipo e quantidade de calorias consumidas.

No entanto, a epidemia de obesidade representa apenas a ponta de um iceberg muito maior, o das consequências adversas à saúde por uma dieta pobre. De acordo com os relatórios mundiais de incidência de doenças, a má alimentação atualmente gera mais doença do que a inatividade física, álcool e o tabaco juntos.

Até 40% das pessoas com um índice de massa corporal normal irá abrigar as anormalidades metabólicas tipicamente associadas à obesidade, que incluem hipertensão, dislipidemia, doença hepática gordurosa não alcoólica e doença cardiovascular (3). No entanto, isso é pouco considerado pelos cientistas, médicos, escritores da mídia, apesar da extensa literatura científica sobre a vulnerabilidade de todas as idades e de todos os tamanhos para as doenças relacionadas com o estilo de vida.

Em vez disso, o público é  afogado por mensagens inúteis sobre a manutenção de um "peso saudável" através da contagem de calorias, e muitos ainda acreditam erroneamente que a obesidade é inteiramente devida à falta de exercícios.

Esta falsa percepção está enraizada no marketing das Indústrias de Alimentos, que usa táticas assustadoramente semelhantes às dos grandes fabricantes de cigarros. A indústria do tabaco estagnou com sucesso a intervenção do governo por 50 anos, a partir de quando as primeiras ligações entre o tabagismo e o câncer de pulmão foram publicadas.

Esta sabotagem foi realizada utilizando um "guia de estratégias corporativas" de negação, dúvida, confundindo o público e até mesmo comprando a lealdade de cientistas, ao custo de milhões de vidas. (4, 5).



A Coca Cola, que gastou 3,3 bilhões de dólares americanos em publicidade em 2013, empurra uma mensagem que "todas as calorias contam" e associam seus produtos com o esporte, o que sugere que tudo bem consumir as suas bebidas, desde que você se exercite.

No entanto a ciência nos diz isso é enganoso e errado. É de onde as calorias vêm de que é crucial. Calorias do açúcar promovem o armazenamento de gordura e fome. Calorias da gordura conduzem à plenitude, "saciedade".

Uma grande análise econométrica da disponibilidade mundial de açúcar, revelou que para cada 150 calorias de açúcar em excesso (por exemplo, uma lata de cola), houve um aumento de 11 vezes na prevalência de diabetes tipo 2, em comparação com as mesmas 150 calorias provenientes de gordura ou proteína.

E isso foi independente do peso e nível de atividade física da pessoa; este estudo cumpre os critérios de casualidade de Bradford Hill (que buscam caracterizar como causal uma associação entre uma exposição e uma doença ou condição de saúde). (6 )

Uma revisão crítica publicada recentemente em nutrição concluiu que a restrição de carboidratos na dieta é a intervenção mais eficaz para reduzir todas as características da síndrome metabólica e deve ser a primeira abordagem na gestão de diabetes, com benefícios ocorrendo mesmo sem a perda de peso (7).

E sobre O CONSUMO de carboidratos E OS EXERCÍCIOs?

As duplas razões para o consumo de carboidratos são de que o corpo tem uma capacidade limitada para armazenar carboidratos e estes são essenciais para o exercício mais intenso. No entanto, estudos recentes sugerem o contrário.

O trabalho de Volek e colegas (8), estabelece que a adaptação crônica à uma dieta rica em gordura e de baixo carboidrato, induz a altas taxas de oxidação de gordura durante o exercício (até 1,5 g / min), suficientes para a maioria dos praticantes, na maioria das formas de exercícios - sem a necessidade de adicionar carboidratos.

Assim a gordura, incluindo os corpos cetônicos, que parecem ser a fonte de energia ideal para a maioria dos exercícios - está em quantidade suficiente, não precisa de reposição ou suplementação durante o exercício, e pode ser o combustível para todas as formas de exercícios mais praticadas. (8)

Se uma dieta rica em carboidratos é simplesmente desnecessária para a prática de exercícios, seria de pouca ameaça à saúde pública. No entanto, existe uma preocupação crescente de que os atletas com resistência à insulina, possam estar em risco de desenvolver diabetes tipo 2, se continuarem a seguir dietas muito ricas em carboidratos durante décadas, uma vez que tais dietas possam piorar a resistência à insulina.



A legitimação “Do APELO SAUDÁVEL” de produtos  Nutricionalmente deficientes DEVE ACABAR

A mensagem de saúde pública em torno de dieta e exercício, e sua relação com as epidemias de diabetes tipo 2 e obesidade, foi corrompida por interesses escusos. A associação da imagem de celebridades a bebidas açucaradas, e a associação de junk food (comida lixo) e esporte, tem de acabar.

A legitimação do “apelo saudável” de produtos nutricionalmente deficientes é enganosa e não científica. Esse marketing manipulador sabota intervenções governamentais eficazes, tais como a introdução de impostos sobre bebidas açucaradas ou a proibição da publicidade de junk food.

Esse marketing aumenta o lucro comercial à custa da saúde da população. A pirâmide de impacto na saúde apontada pelos Centros de Controle de Doenças é clara. Mudar o ambiente alimentar - de forma que as escolhas individuais sobre o que comer num padrão de opções saudáveis terá de longe, um impacto maior na saúde da população do que orientação ou educação.

A escolha saudável deve-se às escolhas fáceis. Clubes e academias de ginástica, portanto, também precisam dar o exemplo, removendo a venda de bebidas açucaradas e junk food dentro das suas instalações.

É hora de voltar no tempo dos danos causados ​​pelas propagandas da indústria de alimentos processados. Vamos acabar com o mito da inatividade física e obesidade. Você não pode correr mais rápido do que uma má alimentação.


REFERÊNCIAS 
1 Exercise—the miracle cure. Report from the Academy of Medical Royal Colleges. Feb 2015. http://www. aomrc.org.uk/ 
2 Luke A, Cooper RS. Physical activity does not influence obesity risk: time to clarify the public health message. Int J Epidemiol 2013;42:1831–6. 
3 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23356701 
4 Brownell KD, Warner KE. The perils of ignoring history: big tobacco played dirty and millions died. How similar is big food? Milbank Q 2009;87: 259–94. 
5 Gornall J. Sugar: spinning a web of influence. BMJ 2015;350:h231. 
6 Basu S, Yoffe P, Hills N, et al. The relationship of sugar to population-level diabetes prevalence: an econometric analysis of repeated cross-sectional data. PLoS ONE 2013;8:e57873. 
7 http://www.nutritionjrnl.com/article/S0899-9007(14) 00332-3/pdf 
8 Noakes T, Volek JS, Phinney SD. Low-carbohydrate diets for athletes: what evidence? Br J Sports Med 2014;48:1077–8.


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