Açúcar nos alimentos é mal identificado, e a indústria gosta desse jeito.

O açúcar adicionado aos alimentos industrializados não é tão facilmente identificável, pois aparece sob os mais diversos nomes, justamente para confundir o consumidor. E é aí que devemos ficar espertos!


Segue abaixo um texto que traduzi, mostrando a opinião do Dr. Robert H. Lustig, professor de pediatria na UC San Francisco e presidente do Instituto para a Nutrição Responsável. Autor de, entre outros livros, "Fat Chance: A verdade Amarga Sobre o Açúcar".
Neste artigo ele relata a sua preocupação com os inúmeros produtos com apelo de "saudáveis", mas que na verdade estão carregados de açucares. Dr. Robert Lustig não recebe dinheiro de indústrias.

O texto original é :Sugar in food is poorly labeled, and the industry likes it that way

(J. David Ake / Associated Press)


Um animal selvagem nunca é mais perigoso do que quando está encurralado. E Big Sugar (grande industria alimentícia multinacional) está atacando com todo o veneno doce que pode reunir, em resposta aos últimos ataques contra as iniquidades de dieta americana. Estes ataques estão agora aparentemente vindos de todas as direções.

Recentemente foi demonstrado não apenas a correlação, mas o nexo de causalidade entre o açúcar e diabetes, doença hepática gordurosa, doenças cardíacas e cárie dentária. Os bancos de investimento Credit Suisse e Morgan Stanley já opinaram sobre os efeitos dos malefícios do consumo excessivo de açúcar em custos de saúde, produtividade econômica e da economia global. O governo indiano pediu a PepsiCo para reformular a sua bebida emblemática na intenção de reduzir a carga de diabetes que país está enfrentando. E a passagem dos impostos sobre os refrigerantes no México e Berkeley parece ter perfurado a armadura outrora impenetrável da Big Sugar.

Então, por que o açúcar? A indústria diz, "uma caloria é uma caloria, açúcar é açúcar." Em seu post no blog Opinion LA levantando questões sobre a exigência do governo federal em adicionar aos rótulos "adição de açúcar", Karin Klein cita nutricionistas que dizem que os grãos processados, como a farinha branca "têm praticamente o mesmo perfil nutricional que o açúcar”.

Mas isso não é verdade. Açúcar começa a fritar o seu fígado com cerca de 35 pounds (15 quilos) por ano, assim como o álcool faria na mesma dosagem. Isto é porque a frutose - a molécula de açúcar doce - é metabolizada no fígado, assim como o álcool. Não é por causa das calorias. O álcool não é perigoso porque tem calorias; álcool é perigoso porque é o álcool. É a mesma coisa com açúcar. E nós estamos em 45kg por ano, o triplo do nosso limite. É por isso que as crianças agora tem as doenças do consumo do álcool - diabetes tipo 2 e doença hepática gordurosa - sem nunca terem bebido álcool.

Duas questões regulatórias estão atualmente em jogo. Como Klein observa, o FDA (Food and Drug Administration) nos EUA, deve agora decidir sobre a proposta incluindo "adição de açúcar" no rótulo das Informações Nutricionais, e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos deve agir por conta própria (DGAC) seguindo a recomendação do Dietary Guidelines do Comité Consultivo para limitar o consumo de açúcar adicionado a 10% das calorias totais. A indústria de alimentos está lutando contra esses dois com unhas e dentes.

O sucesso da proposta do FDA baseia-se na capacidade do novo rótulo educar o público sobre o que a indústria adiciona ao alimento. A indústria diz que as regras para rotulagem nutricional de 1990, exigem apenas a divulgação de açúcares totais, que inclui os morangos em seu sorvete de morango, a lactose no leite (nenhum dos quais é um problema) e o açúcar adicionado. Mas quanto desse açúcar total é de lactose, e quanto é adicionado de açúcar?

Considere-se uma bandeja de iogurte de fruta, que tem 19 gramas de açúcar. Um iogurte natural tem 7 gramas de açúcar, todo da lactose (açúcar do leite), o que não é um problema. Assim, cada iogurte de fruta tem 12 gramas de açúcar adicionado. Além disso, a indústria esconde bem o açúcar. Há 56 nomes diferentes para o açúcar; escolhendo diferentes açúcares como o quinto, sexto, sétimo e oitavo ingredientes, podendo chegar rapidamente até primeiro ingrediente ( o ingrediente presente em maior quantidade).

A resposta da indústria é algo como isto: "Se nós dissermos ao consumidor a quantidade de açúcar que adicionamos a um determinado produto, nossos concorrentes poderiam copiar as nossas receitas Esta informação é secreta, e você não pode ter acesso." Em outras palavras, de acordo com as grandes industrias alimentícias, não é necessário que você saiba. Mas é. Como podemos esperar que alguém tome uma decisão racional quando as informações sobre essa decisão são retidas?

Por outro lado, a recomendação do DGAC ao USDA iria limitar o açúcar adicionado a 10% das calorias totais, muito longe dos 25% que o Instituto de Medicina sancionou em 2004. Como exemplo da importância da presente proposta do novo mandato, em 2011, a Environmental Working Group (EWG) identificou 17 cereais matinais comercializados para crianças em que os açúcares adicionados constituíram mais que 50% das calorias. Apesar da notoriedade desta divulgação, em 2014 o EWG observou que nenhum desses cereais matinais tinha reduzido o teor de açúcar. Se a recomendação da DGAC torna-se a política do governo, então o rótulo Nutricional vai mostrar que uma tigela de café da manhã típico cereal fornece 33% do valor diário para a adição de açúcar para os adultos, e uma lata de refrigerante fornece 90%.

Se adição de açúcares deve ser só de 10% do total de calorias, a indústria seria forçada a reformular.

O objetivo da indústria de alimentos é a de manter estas duas batalhas divididas. Porque se o FDA e USDA unirem estas duas políticas, a natureza hipócrita das práticas da indústria será óbvia. Por exemplo, o FDA estabeleceu um nível desqualificante de certos nutrientes que os fabricantes usam como apelo de saúde. Anteriormente, eles monitoravam as gorduras totais, gorduras saturadas, sódio e colesterol. Esta é uma lista desatualizada. O FDA e USDA precisam fornecer um nível desqualificante para adição de açúcar. Caminhe pelo corredor de cereais e você verá produtos com nome de doces comercializados para crianças (com personagens atraentes de desenhos animados) que refletem o quão saudável o cereal é. Será? E será que alguém realmente quer atestar as propriedades promotoras de saúde de uma GoGurt?

Há 51 agências distintas responsáveis pela nossa cadeia alimentar. Isso combina com a indústria de alimentos muito bem, cujas estratégias são dividir e conquistar. É hora de nos unirmos para domar esse animal selvagem antes que ele possa adoecer outra geração de crianças.

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