Revolução da Nutrição: O Fim da Era dos altos carboidratos para diabetes tipo 2

A diabetes sempre foi tratada como uma Doença da Intolerância aos Carboidratos, mas desde a década de 70, quando as diretrizes nutricionais recomendaram reduzir o consumo de gordura e aumentar o de carboidratos, os problemas para os diabéticos - e não diabéticos- começaram a piorar...




Tradução do artigo: "Nutrition Revolution: The End of the High Carbohydrates Era for Type 2 Diabetes Prevention and Management", feita por Regiany Floriano. O Original está aqui.


Publicado em 20 de fevereiro de 2015 por Joslin Communications

Este artigo foi escrito por Osama Hamdy, MD, diretor médico do Programa de Clínica Obesidade, Diretor de Internação do Controle de Diabetes no Centro de Diabetes Joslin, professor assistente de medicina na Escola de Medicina de Harvard. Dr. Hamdy é também o diretor do programa “Porque Esperar” (Why Wait) onde trabalha com as pessoas para melhorar a sua diabetes através da perda de peso. Dr. Hamdy é também o autor do Breakthrough Diabetes (Revelaçãogh da Diabetes).

Em 1977, o Comitê Especial de Nutrição e Necessidades Humanas do Senado dos EUA recomendou que as pessoas aumentassem sua ingestão de carboidratos para 55 a 60 por cento da ingestão calórica total, e reduzissem o consumo de gordura de cerca de 40 por cento para 30 por cento do total de calorias diárias. Os objetivos destas recomendações eram reduzir os custos dos cuidados de saúde e maximizar a qualidade de vida dos norte-americanos, como afirma George McGovern, o presidente da referida comissão.

A proposta de redução de custos previa uma eventual redução da incidência de doença cardíaca, câncer e acidente vascular cerebral (AVC), bem como outras doenças mortais. Apesar das controvérsias por que as recomendações foram baseadas em fracas evidências científicas, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) criou em 1980, uma pirâmide alimentar que representava o número ideal de porções de cada um dos grupos alimentares básicos, ingerida por dia. Os hidratos de carbono foram colocados na base da pirâmide (fazendo-se a maior parte da ingestão calórica, 6 a 11 doses por dia) e as gorduras foram colocadas na ponta da pirâmide para mostrar que elas devem ser "consumidas com moderação”.
Infelizmente, os resultados destas recomendações acabaram por ser o oposto do que o esperado pelo USDA.


O que foi adequadamente descrito como um "experimento nutricional nacional", contribuiu como sabemos agora, para o aumento da prevalência da obesidade. E, ao contrário dos principais objetivos das recomendações, a prevalência de diabetes tipo 2 - e as doenças cardiovasculares - subiram significativamente.


Por que isso aconteceu?

Fisiologicamente, um aumento na ingestão de carboidratos resulta em um aumento da resposta de insulina, que se manifesta no armazenamento de gordura promovendo o aumento da obesidade. E, demonstrou-se, que o acumulo de gordura dentro da barriga (gordura visceral) está associada com a inflamação crônica que está diretamente relacionada com a diabetes tipo 2 e ataques cardíacos.

O problema é igualmente ruim para as pessoas que já têm diabetes tipo 2. Sabemos hoje que o aumento da carga de carboidratos na dieta de diabéticos aumenta o que é chamado de toxicidade da glicose e, consequentemente, aumenta a resistência à insulina, o nível de triglicerídeos e reduz HDL-colesterol benéfico.

Na virada do século XX (antes das recomendações do USDA representados pela pirâmide alimentar), o que hoje conhecemos como diabetes tipo 2, foi predominantemente definida como uma doença da intolerância aos carboidratos e era tratada principalmente reduzindo-se a ingestão de hidratos de carbono. A restrição de carboidratos foi particularmente bem sucedida no tratamento de diabetes antes da descoberta da insulina. Drs. Elliot P. Joslin e Fredrick Allen, os pais dos estudos sobre diabetes, trataram com sucesso seus pacientes diagnosticados com diabetes gorda (mais tarde conhecida como diabetes tipo 2) com uma dieta muito pobre em carboidratos. Hoje, a dieta de Elliott Joslin seria considerada excêntrica, como se vê pela reação na comunidade médica para a sua reencarnação como a dieta Atkins.

Tal redução extrema de hidratos de carbono, apesar de ser muito bem sucedida no tratamento de diabetes tipo 2 antes da descoberta da insulina, mostrou-se de fato associada com alguns efeitos colaterais desagradáveis, como prisão de ventre, dor de cabeça, mau hálito e cãibras musculares. Mas, embora a quantidade recomendada de ingestão de carboidratos foi relaxada significativamente após a descoberta da insulina em 1922, nunca foi superior a 40% da ingestão calórica diária, valor que mostrou reduzir a glicose e triglicérides no sangue. Assim, foi um absurdo quando as recomendações do USDA foram publicadas em diversas sociedades médicas, recomendando aumentar hidratos de carbono e diminuir a ingestão de gordura para pacientes com diabetes.

Desde 2003, muitos ensaios clínicos confirmaram que a redução de carboidratos ainda é superior quanto à redução da gordura, na diminuição do peso corporal e melhor controle da glicose. Também se tem demonstrado que a redução de carboidratos para pacientes com diabetes tipo 2, aumenta a sensibilidade à sua própria insulina, reduz a gordura abdominal e triglicérides e aumenta o bom colesterol (HDL-colesterol).

Recentemente, uma análise de vários estudos (meta-análise) mostrou que a redução da carga carboidratos (quantidade) e índice glicêmico (o efeito dos alimentos ricos em glicose no sangue) foi associada a um risco reduzido de desenvolver diabetes tipo 2. Após a redução de peso, manter uma dieta com baixo consumo de alimentos de alto índice glicêmico e maior em proteína, demonstrou ser melhor para manutenção da perda de peso por mais tempo do que qualquer outra dieta.



As Diretrizes Joslin


Desde 2005, a Clínica Joslin tem recomendado uma redução da ingestão de carboidratos para 40-45% do total das calorias diárias e que sejam evitados alimentos com classificação elevada no índice glicêmico dos carboidratos (veja numa tabela de índice glicêmico). Diretrizes da Joslin de 2005 para pacientes com sobrepeso e obesos, com diabetes tipo 2 ou em risco de desenvolver diabetes tipo 2, que foram revistas em 2011, continuam a recomendar a redução da ingestão de carboidratos para prevenir e tratar pacientes com diabetes tipo 2 e problemas de peso.

Recentemente, a maioria das sociedades médicas ainda parte da alta ingestão de carboidratos e a individualização das necessidades nutricionais. Na Joslin temos a comprovação clínica do que é a decisão certa. Desde 2005 temos seguido as orientações Joslin, em nosso programa de gerenciamento de peso “Por que Esperar”. Os 44 grupos de tipo 2 pacientes que passaram pelo programa Porque Esperar e seguiram as orientações Joslin, perderam um total de 10.000 lbs. (4.535 kg), melhoraram o seu controle do diabetes e cortaram os seus medicamentos de forma significativa.

Infelizmente, muitos profissionais de saúde e nutricionistas de todo o país ainda recomendam a ingestão elevada de carboidratos para os pacientes com diabetes, uma recomendação que pode prejudicar seus pacientes e contribui para o aumento da obesidade, piora o controle do diabetes e, consequentemente, aumenta a chance de desenvolver as complicações do diabetes.

Agora, é claro que um grande erro foi feito na década de 1970 em recomendar um aumento em carboidratos para mais de 40% do total das calorias diárias. Esta época deve chegar a um fim, se quisermos seriamente reduzir as epidemias de obesidade e diabetes tipo 2.

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