Low Carb e as crianças

Se eu soubesse do que sei agora... tudo seria diferente! Disto eu não tenho dúvidas.
Mas reconheço que cada coisa tem seu tempo. Não consigo imaginar o quanto seria difícil manter duas crianças longe dos doces e das guloseimas cheias de carboidratos há mais de dez anos atrás - pois naquele tempo, nem a ciência sabia o que admite hoje, que não é a gordura animal que faz mal e sim o excesso de carboidratos na alimentação (apesar da grande maioria dos profissionais de saúde ainda seguir a teoria antiga). Com certeza, eu seria taxada como "mãe má" por deixar os filhos "passarem vontade".

O primeiro gostinho da fruta

Apesar de não ter conhecimento da dieta low carb quando meus filhos eram pequenos, eu tentei evitar o contato com doces muito cedo, amamentei o quanto pude e quando começaram a comer, preparava suas refeições, oferecia sucos naturais (o que eu não faria mais hoje), frutas, verduras e os alimentos que eu tinha como saudáveis. Consegui controlar o acesso aos doces e guloseimas até eles entrarem na escolinha... Daí os coleguinhas levavam outros lanches mais coloridos e apetitosos (pra não dizer apelativos) e os pedidos já começavam assim que eu ia buscá-los, no final da tarde. Festinhas de aniversário então, eram a perdição!

Hoje, já na fase da adolescência, fica mais fácil explicar pra eles o que estou aprendendo como estilo de vida Paleo - Low Carb, desde os malefícios do glúten - eu mesma só tive benefícios retirando este e outros grãos da dieta (assunto para outro post), além de mostrar em vídeos ("vídeo-aula" ensina mais facilmente por que não é a mãe falando) os efeitos do açúcar e carboidratos no cérebro, a compulsão alimentar e os males da alimentação errada, que aumentam à medida que os anos passam. Sabendo disto, eles já tem consciência dos efeitos das escolhas do que ingerem e se ainda não deixaram de comer, diminuíram bastante a quantidade dos "alimentos proibidos" (alimentos processados, industrializados, açucarados, etc).

Falo que eles são privilegiados por terem informações que eu não tive. Entrei na adolescência gordinha e fiquei assim, complexada, até começar a faculdade, quando finalmente emagreci. Não foi fácil passar por uma fase tão bonita, mas tão complicada e ainda com um peso a mais...

Felizmente hoje consigo ver uma calma à mesa que nunca imaginei ser possível. Coisas que a gente só percebe quando muda de lado, se é que me entende... Hoje comemos menos e estamos mais satisfeitos. Não temos aquela "gula" de colocar enormes porções no prato ou repetir a refeição. Considero um grande progresso.

Mas o motivo que me trouxe aqui foi o que li (traduzi o texto abaixo). O relato de uma mãe que ingressou na Low Carb há 10 anos, emagreceu muitos, muitos quilos, gerou 2 filhos a ZERO carb e começou a alimentá-los no estilo de vida low carb. Confesso que grande parte do que ela diz é o que eu gostaria de ter feito pelos meus filhos quando pequenos, mas também sei que é muito fácil controlar as vontades de crianças de 2 e 3 anos como as dela. Só acompanhando seus futuros posts é que poderemos saber como estão indo à medida que vão ficando maiores.

Ainda não encontrei relatos de outras mães que criaram filhos há mais tempo na low carb, para saber como foi cada fase de vida das crianças e sua relação com o mundo fora de casa - que sabe muito bem criticar o que sai do "normal" - e como argumentar contra aquela frase típica dos filhos: "Mas todos os meus amigos fazem!" Não é fácil... Mesmo que minhas "crianças" venham se acostumando com menos doces e carboidratos, quando saem com os coleguinhas, consomem o de costume "das pessoas normais" = hamburgueres, batatas fritas, sorvetes e refrigerantes. Ainda bem que é só de vez em quando. Não forço nada, eles já estão mais conscientes e espero que sejam adultos mais saudáveis que a maioria dos adultos de hoje.

Se hoje eu ainda tenho que esclarecer às críticas sobre nossa alimentação "diferente", imagino como seria na época em que as crianças eram pequenas, enfrentar palpites e opiniões de avós, parentes, professores a até quem sabe, da pediatra. Hoje me sinto muito mais segura. Não estou sozinha nesta!

Aqui está o texto traduzido:
Keeping Our Kids Off the Sugar Teet = Mantendo nossos filhos longe dos dentes de Açúcar ou Mantendo os filhos sem serem gulosos.


(Estes peixinhos dourados representam um petisco muito comum nos EUA, tanto que tem opções caseiras como esta aqui, feita com farinha de trigo, integral, mas não menos "carbenta" = carregada de carboidratos. rsrsrs)


Deixe-os comer biscoitos assados Peixe dourado Low-Carb

"Depois de ter duas gestações de zero-carb (menos alguns picles provocantes), eu dei à luz dois bebês felizes, saudáveis. E isso, meus amigos, foi quando eu enfrentei o meu maior desafio até o momento.

Eu tive que realmente alimentá-los.

Você sabe, no mundo de hoje, estamos rodeados de petiscos. Ir ao cinema? Você tem que ter pipoca e doces. Tem um aniversário? Providenciar um bolo. Aprender a ir ao banheiro? Dê-lhes M & Ms. Um feriado especial? Doces, doces, doces! Levando o seu filho para a creche da igreja? Aí vêm os biscoitos! Indo para a casa dos avós? Espero que tenha lugar para a sobremesa.

Eu sabia a partir de minhas próprias experiências pessoais, que eu senti mundos melhores, sem carboidratos e açúcares na minha dieta. Eu sabia que eu me sentia mais relaxada e calma, sem o açúcar no meu sangue subindo e caindo durante todo o dia. Eu estava calma, mas também tinha muita energia constante, mais do que eu já tive ao comer carboidratos. Eu dormi bem à noite e vivi a minha vida livre de desejos, mau humor, e ganho de peso. Eu simplesmente me senti bem.

Por que eu não iria querer que meus filhos se sentissem da mesma maneira?

Depois de muita discussão com o meu marido, decidimos alimentar nossas crianças com uma dieta baseada em carnes, legumes low-carb, frutas baixo teor de açúcar e água. Nada de grãos, doces, sucos, batatas, pães, ou amidos.
E wow. Eu acho que nenhum de nós sabia realmente no que estávamos nos metendo.


O QUE ELES COMERAM, QUANDO BEBÊS
Criar filhos low-carb era mais simples quando eles são recém nascidos, principalmente porque ninguém tenta alimentar bebês de outras pessoas. Nos seus primeiros seis meses, ambos os nossos bebês foram amamentados, sem suplementos de cereais ou qualquer alimento adicional. Eu não me preocupava em manter o açúcar ou carboidratos longe deles, e eu não tinha que me preocupar com alguém jogando um pirulito em suas mamadeiras. Nutricionalmente, eu era a dona da bola.

O verdadeiro desafio começou quando eles tinham cerca de seis meses de idade, e cada um deles queria os alimentos da mesa. Começamos dando-lhes um mix de alimentos sólidos e moles. Eu continuei amamentando-os, mas também lhes dei a sua primeira comida: carne.
Mesmo que a carne não seja tradicionalmente o "primeiro alimento" para bebês nos Estados Unidos, é muito comum em muitos países ao redor do mundo, iniciar as crianças desse jeito. É importante ressaltar que a carne é um dos alimentos menos alergênicos e mais digeríveis.

Nós deixamos Thomas pegar uma coxa de frango ou um bife de hambúrguer e mascar. Ou eu preparava um assado gordo no crock-pot e depois fazia um puré em um processador de alimentos para Julia comer às colheradas. Voila! Bife instantâneo para bebê.

Eu apresentei puré de vegetais low-carb um par de semanas mais tarde, quando eu senti que eles tinham desenvolvido um gosto saudável para proteínas e gorduras. Embora eu costume acrescentar algum tipo de gordura aos legumes (feijões verdes com gordura de bacon, ou cenouras com manteiga), as crianças rapidamente descobriram que também amavam legumes, especialmente feijão verde, abobrinha, cogumelos, cebolas, azeitonas, e cenouras. Os meus filhos são conhecidos por gritar com a visão de beterraba. Sério. Beterrabas.



O QUE ELES COMEM AGORA COMO CRIANÇAS PEQUENAS

Agora que eles estão ambos sentados em assentos mais altos na mesa, colocando uma refeição low-carb em seus pratos é basicamente como alimentar com uma refeição low-carb de adulto só que menor. Verdade seja dita, eles provavelmente poderiam comer fora como a maioria dos adultos.
Aqui está uma seleção de café da manhã padrão para os nossos filhos: ovos, bacon, salsicha, frutas ou tomates, e iogurte grego integral e sem açúcar.

Lanches Low-carb em trânsito era outra coisa que eu tinha que descobrir. Porque eles comem refeições completas e saciantes, eles não lancham muito, mas quando o fazem, eles comem coisas como pepperoni, nozes, salsicha, palitos de cenoura, torresmo e as maçãs.
Se sairmos para comer, eu peço a carne (bife, hambúrguer sem pão, iscas de carne, bisteca de porco, asas de frango, salada de frango ou carne assada com queijo derretido) e alguns vegetais. Sair para comer com eles ainda é difícil, mas só porque eles têm dois e três anos de idade e a paciência de um mosquito quando se trata de esperar pela comida.

Eles só bebem água, que eles tanto AMAM. Eles nunca provaram suco, por isto não pedem. Eles também nunca provaram leite de vaca (exceto creme leite sem açúcar), mas eles comem laticínios sob a forma de queijo e iogurte grego. Além disso, Julia tem um grande amor por água com gás. (Ela tem o rosto de seu pai, mas é definitivamente é minha filha.)

Seu deleite favorito (além de um suculento bife) é fruta. Eu, frequentemente ofereço frutas de baixo açúcar como maçãs, melão, melancia, e melão. Posso admitir que Thomas faz qualquer coisa por uma uva.


O MUNDO É UM CAMPO MINADO DE AÇÚCAR.

Como eles estão ficando mais velhos, as coisas estão tornando-se marcadamente mais complicadas. Por exemplo, nossas escolhas em prestadores de cuidados infantis e pré-escolas têm-se baseado, em parte, se vão nos permitir embalar nossos próprios almoços e lanches. E quando os meus filhos são convidados a uma festa de aniversário, eu asso um bolo sem farinha ou edulcorantes para me certificar de que eles não se sintam deixados de fora. No caso de haver sempre uma festa na escola dos meus filhos, eu sempre tenho um saco de lanches extra (embora ainda low-carb e sem açúcar) em sua mochila.

Uma coisa que eu não esperava era o quão fácil seria dizer aos meus filhos que eles não podem ter açúcar e doces. Eu não tive que impedir, porque eles nunca sequer me pediram doces. Eles nem gostam do cheiro de assados ou alimentos açucarados. Eles realmente NÃO são gulosos e não tem vontades além de carnes, legumes e frutas. Eu não acho que eles gostariam que o gosto de doces, mesmo se eu desse a eles.

E qual a diferença que faz em seu comportamento! Eles são crianças incrivelmente calmas, bons filhos com uma grande atitude. Mas, WOW. Ingerir até um pouco de açúcar pode mudar rapidamente isso. Porque a única coisa açucarada a que já foram expostos é medicamento de prescrição, é fácil para mim ver o declínio no instante em que o açúcar entra seus sistemas. Sabe quantos medicamentos comuns têm açúcar e adoçantes? A maioria deles. E quando se trata de meus filhos, o resultado final não é bonito.

Se eu puder poupar meus filhos de uma vida dos efeitos negativos dos açúcares e vícios devidos aos carboidratos, vou ser feliz. Se eu puder ajudar a manter o açúcar no sangue estável e permitir-lhes sentir a calma e felicidade que eu tenho experimentado ao longo dos últimos cinco anos, vou me considerar bem-sucedida.

Devo mencionar que há um efeito colateral que foi completamente inesperado. Devido a suas dietas serem tão diferente da maioria (todos?) as outras crianças, já posso dizer que Julia e Thomas percebem que está completamente certo pensar fora da caixa e ir "contra a corrente", se você quiser. Eles estão descobrindo em tenra idade que não há problema em ser "diferente".
E eu definitivamente estou bem com isso."

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