2 de dezembro de 2016

Por que eu ganho peso quando faço exercícios?


Por que eu tenho tendencia a ganhar peso quando eu me exercito e a perder peso quando eu me movimento pouco?

A resposta curta e insatisfatória é que você é humano. Um número surpreendentemente grande de pessoas que começam um programa de exercícios, subsequentemente acumulam quilos extras. Em uma revisão de 2013 de estudos científicos relacionados ao exercício e perda de peso, os pesquisadores concluíram que a maioria das pessoas sedentárias que começam a praticar atividades físicas perdem muito menos peso do que seria de se esperar, dada quantas calorias queimam enquanto se exercitam.

Como Eric Ravussin, professor do Centro de Pesquisa Biomédica Pennington em Baton Rouge, La. me disse há algum tempo: "Em geral, o exercício por si só é praticamente inútil para a perda de peso".

O problema, a maioria dos cientistas concorda, é que o exercício nos faz querer comer. Muitos estudos mostraram que se as pessoas começam um novo programa de exercícios, seus corpos começam a bombear níveis muito mais elevados de vários hormônios que aumentam o apetite. Esta reação parece ser mais pronunciada se alguém inicia uma nova, moderada, rotina de exercícios aeróbicos. (Há indícios em alguns estudos de que o exercício intenso, como o treinamento intervalado, pode diminuir o apetite. Mas os estudos relevantes foram poucos e pequenos).

Assim, se começarmos a correr, praticar natação, andar a pé ou de bicicleta, por exemplo, nos sentimos inusitadamente com fome depois, e muitas vezes acabamos consumindo muitas ou mais calorias do que acabamos de gastar. Uma caminhada moderada de 30 minutos queima apenas cerca de 100 calorias. Um smoothie depois, pode conter duas ou três vezes essa quantidade.

Simultaneamente, muitos de nós nos movimentamos menos nos dias em que nos exercitamos, mostram os estudos. Os cientistas se referem a essa reação como "inatividade compensatória". Sem planejar conscientemente, passamos mais horas sentados durante aqueles dias em que tivemos alguma atividade física do que quando não fizemos nada, e, em última análise, queimamos menos calorias totais.

Em essência, começar a se exercitar muitas vezes significa que vamos comer mais e nos mover menos do que fazíamos antes, e vamos consumir mais calorias e ganhar peso.

Mas há uma solução, de acordo com uma nova abrangente revisão de décadas de estudos sobre o exercício e o peso corporal. Pratique atividades físicas, os resultados sugerem, mas também analise conscientemente o que você come. Juntando dados de vários estudos anteriores, descobriram que, se as pessoas se exercitam e restringem sua ingestão de calorias, perdem peso - e na verdade muitas vezes perdem mais peso do que fazendo apenas a dieta.


Fonte: The New York Times. Tradução: Regiany Floriano







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30 de novembro de 2016

Leite integral pode ser melhor que o desnatado para as crianças


O leite desnatado, com baixo teor de gordura, pode não ser a melhor opção para as crianças, embora muitos especialistas o recomendem para crianças com mais de 2 anos para combater a obesidade.

Pesquisadores canadenses coletaram dados de altura e peso de 2.745 crianças saudáveis de 1 a 6 anos de idade. Eles tiraram amostras de sangue, e seus pais relataram quanto de leite desnatado, com 1% de gordura, com 2% de gordura e leite integral as crianças bebiam.

Depois de controlar a idade, sexo, atividades ao ar livre e outros fatores que afetam os níveis de vitamina D e o peso, eles descobriram que as crianças que bebiam uma xícara de leite integral por dia tinham o nível de vitamina D comparável ao das crianças que bebiam 2,9 xícaras de de leite com 1% de gordura, mas seu índice de massa corporal (IMC) era menor em 0,79 pontos. Quanto maior o teor de gordura do leite que bebiam, mais baixo o IMC das crianças, e maiores os níveis de vitamina D. O estudo está no American Journal of Clinical Nutrition.

O Dr. Jonathon L. Maguire, professor associado de pediatria na Universidade de Toronto, sugeriu que a vitamina D seja melhor absorvida com gordura e beber leite com baixo teor de gordura pode deixar uma criança mais faminta por alimentos mais densos em calorias.

"Essas duas coisas juntas podem fazer com que seja um duplo golpe para o leite com baixo teor de gordura", disse ele. "Mas este é um pequeno pedaço do quebra-cabeça. Nós realmente precisamos fazer mais pesquisas para responder a essas perguntas tão básicas".

Fonte: The New York Times, tradução: Regiany Floriano







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29 de novembro de 2016

Porque a Coca-Cola Adora o Modelo Calórico



É triste ver como somos manipulados pela industria alimentícia e farmacêutica.
De vez em quando algumas 'sujeiras' aparecem.
Neste artigo Dr Jason Fung expõe a verdade nua e crua sobre a participação da Coca Cola em numerosos estudos patrocinados para associar a obesidade com as calorias totais e a falta de exercícios, não com o consumo de refrigerantes...


Artigo publicado por Jason Fung e traduzido por Regiany Floriano

A Coca-Cola adora promover o modelo 'calorias que entram / calorias que saem' [Calories In / Calories Out (CICO)]. Como um dos principais fornecedores de bebidas açucaradas, constitui uma parcela significativa dos açúcares adicionados na dieta americana.

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Cúmplice pago pela Coca Cola
Você se lembra da história da dieta Twinkie? Em 2010, Mark Haub, um pesquisador da Universidade Estadual de Kansas alcançou notoriedade como um seguidor da dieta Twinkie. Durante 10 semanas, Haub comeu um Twinkie a cada três horas em vez de uma refeição normal. Ele também comeu Doritos, biscoitos Oreo e cereais açucarados. A pegada era que ele iria comer só 1800 calorias por dia de alguns dos alimentos que mais engordam no planeta.

Nesses dois meses, ele perdeu 27 quilos, seu colesterol LDL ficou melhor assim como seus triglicerídeos. Isso ganhou a atenção de todos os meios de comunicação tradicionais, incluindo a CNN. Isto apoiou a opinião que tudo dependia das calorias. Você poderia comer o que você quisesse, contanto que você reduzisse as calorias, você ainda poderia perder peso.

Só faltava uma coisa nesta história. Uma omissão evidente. Ele foi pago pela Coca Cola. Em 2016, em resposta às críticas crescentes sobre a transparência, a Coca-Cola publicou uma lista de pesquisadores que receberam dinheiro. Mark Haub era um daqueles pesquisadores que confiavam nos bolsos profundos da Coca para financiá-lo e aos fundos dos colégios de seus filhos. Uma mudança estúpida? Dificilmente. A Coca-Cola gastou um total de US$ 2,3 milhões com esses "profissionais de saúde e especialistas científicos". No comunicado à imprensa, a Coca-Cola afirmou que esses especialistas "afirmam seus próprios pontos de vista e revelam sua relação com a The Coca-Cola Company".

Só que não. Eu ainda não vi nenhum tipo de publicação onde o covarde Mark Haub admitiu aceitar dinheiro da Coca-Cola. Ele está disposto a sacrificar sua saúde por causa de alguns dólares. Mas ele não se orgulha disso. Então, ele nunca fala sobre isso nas centenas de entrevistas e artigos na mídia sobre sua dieta Twinkie. Nos círculos acadêmicos, deturpar sua fonte de financiamento, que tem graves implicações nos resultados, equivale a mentir sob juramento. A história original soou muito melhor do que "Coca Cola paga um cara para fazer um estudo sem supervisão, não comprovado e afirma perder peso comendo Twinkies".

Isto só foi divulgado por causa do mau comportamento por parte do Balanço Energético Global da Universidade do Colorado. O que aconteceu lá? Bem, a Coca Cola deu milhões de dólares para a Universidade e os médicos para criar uma organização falsa chamada Global Energy Balance Network. Com bênçãos universitárias e "dirigidas" por médicos, seria levado mais a sério do que, digamos, uma rede chamada "O Consórcio da Coca-Cola - Por que os refrigerantes não te fazem Engordar" com o igualmente descortês acrônimo WSDMYF (Why Soda Doesn’t Make you Fat).

O que a Coca-Cola estava tentando fazer era criar uma organização de marionetes onde pudessem conduzir a "pesquisa" que "provasse" que o açúcar e os refrigerantes não te fazem engordar. Eles cuidadosamente esconderam seu nome por trás da universidade e os médicos, que foram bem pagos por sua parte.

A influência da Coca Cola é ilimitada. Eles ainda têm o poder de influenciar Hilary Clinton, e assim chegar às estratosferas do poder que são inacessíveis por meros mortais. Pena que eles só usam essa influência para ganhar mais dinheiro e vender mais água com açúcar. Saúde da nação? Quem se importa? Impostos sobre os refrigerante estão na moda agora. Em abril de 2016 Hilary Clinton estava apoiando até que num dia misterioso, ela fica em silêncio. Nenhuma retórica a respeito do apoio ao imposto sobre os refrigerantes. E-mails vazados mostram que em 20 de abril, um executivo de Coca Cola escreveu para Capricia Marshall (assistente especial de Clinton, enquanto primeira-dama) "Sério??? Depois de tudo o que fizemos?". Sim, a Coca-Cola esperava que a campanha de Clinton voltasse como um cão escorraçado. Que foi exatamente o que eles fizeram. Eles foram comprados e pagos, e eles sabiam disso.

A primeira parte para desviar uma culpa é encontrar o bode expiatório certo. Então, se a obesidade não é devida ao açúcar e refrigerantes, então o que poderia levar a culpa em vez deles? Bem, o alvo mais fácil seria as calorias. Se você simplesmente culpar as calorias totais, então, comer salada e beber Coca-Cola engorda do mesmo jeito, desde que sejam o mesmo número de calorias.

Então, logicamente, você poderia comer um prato de biscoitos no jantar, ou um número igual de calorias de salada com azeite e salmão, e ambos seriam iguais em termos de causar obesidade. Exceto o que senso comum diz que comer biscoitos no jantar todas as noites vai fazer você engordar, e comer salada todas as noites vai fazer você emagrecer.

Mas as calorias fazem o papel de bode expiatório perfeito. Não há nenhuma marca chamada "calorias". Ninguém possui a marca "calorias". Ninguém faz comida chamada "calorias". Elas estão totalmente indefesas.

A segunda coisa é promover o exercício como uma boa maneira de queimar calorias. Esta é uma boa maneira de transferir a culpa para as vítimas. Se você está com sobrepeso, agora a culpa é SUA, não da Coca-Cola. O problema não é todo o açúcar que você está bebendo, o problema é que você não está exercitando o suficiente. Naturalmente, nos anos 1950 as pessoas nunca se exercitavam por divertimento, e também não havia obesidade. E as pessoas também passavam o dia sentadas em frente à mesa trabalhando também.

Uma vez que os truques do balanço global da energia foram revelados, a Coca entrou no modo de controle dos danos. O Dr. Hill, que tinha aceitado com avidez o dinheiro, insistiu que a Coca não tinha nenhuma influência sobre suas opiniões como pesquisador. Obviamente isto foi um absurdo e foi apresentado por seus colegas numa carta escrita pelo Dr. Willett, da Universidade de Harvard, que o acusou de espalhar "um absurdo científico". Claro que era um absurdo. Mas era um absurdo lucrativo.


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Uma série de e-mails obtidos pela Associated Press também confirmou que, em vez de manter em condições normais, a Coca-Cola envolveu-se ativamente no grupo, incluindo a escolha dos líderes dos grupos, elaborando a declaração de missão e logotipo. Dr. Hill, de acordo com o New York Times também propôs um estudo para "ajudar a Coca Cola a culpar a obesidade pela falta de exercícios e persuadiu a empresa a pagar por ele". Bem, Dr. Hill. Você já conhecia os resultados do seu estudo antes mesmo de o fazer?

Como parte das consequências, a Coca Cola aumentou a transparência do seu financiamento e publicou uma grande lista de lugares onde eles estavam distribuindo dinheiro. Não é altruísmo. É patrocínio. Claro e simples. A Academia de Nutrição e Dietética, representando os nutricionistas da América estava na tomada de milhões de dólares. E assim foi com Mark Haub, finalmente exposto como uma fraude depois de todos esses anos.

Há apenas alguns dias, no New York Times, Anahad O'Connor escreveu um artigo esclareceu os estudos conflitantes sobre a ligação entre as bebidas açucaradas (SSB) e obesidade e diabetes tipo 2. Ao longo dos anos, muitos estudos foram apresentados - alguns ligando SSB e alguns refutando esse link. Qual foi a diferença? Cada único estudo refutando a ligação foi financiado por uma indústria de refrigerantes como a Coca-Cola. Chocante…

Não cometa erros. Uma grande parte do esquema das indústrias de bebidas açucaradas é enganar o público, nos fazendo acreditar que todas as calorias engordam da mesma forma. Eles gastaram milhões de dólares e décadas fazendo exatamente isso. Uma caloria é uma caloria. Certo. Mas esse não é o meu ponto. Todas as calorias engordam da mesma forma? Comer biscoitos todos os dias levará ao mesmo ganho de peso do que comer salada? Só um tolo acredita nisso. Não seja tão tolo.

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28 de novembro de 2016

Se o leite é branco, por que a manteiga é amarela?


E a resposta a esta pergunta é:


A diferença de cor é principalmente devido ao maior teor de gordura de manteiga. As vacas que comem capim e flores armazenam em sua gordura o pigmento amarelo beta caroteno, que é encontrado naturalmente nas plantas. O pigmento é transportado para a gordura do seu leite. O leite é composto principalmente de água, com pouco mais de 3 por cento de gordura no leite integral; o creme de leite (nata) tem geralmente cerca de 30 a 40 por cento de gordura; e a manteiga contém, pelo menos 80 por cento de gordura.


Os glóbulos de gordura em suspensão no leite ou creme são rodeados por uma membrana fina que, em essência, acaba escondendo o pigmento beta-caroteno. Esta estrutura reflete a luz de tal modo que o leite pareça branco.


Para fazer manteiga é necessário que o creme seja batido, e durante esse processo de agitação "você quebra a membrana, e os glóbulos de gordura se agrupam", disse Elaine Khosrova, antiga editora de publicidade da cultura sobre o fabrico de queijo, e autora do novo livro "Manteiga: Uma história rica". “Esse é o objetivo ao se fazer a manteiga: quebrar essa membrana". Ao fazer isso, você expõe o beta-caroteno, disse ela. Quando você separa o soro após ter batido, o que resta é principalmente a nata, que é a parte mais amarela de todas.


No entanto, você pode notar que a manteiga do leite de ovelha, leite de cabra ou leite de búfala são brancas. Esses animais não armazenam o beta-caroteno da maneira que as vacas fazem. Em vez disso, eles o convertem em vitamina A, que é incolor.


Se as vacas são criadas a pasto, a sua manteiga é mais amarela quando o leite é recolhido no final da primavera ou no verão, quando as vacas têm mais forragem rica em beta-caroteno à disposição. No inverno, até mesmo as vacas criadas a pasto geralmente são trazidas para dentro e são alimentadas com grãos, que não tem muito beta-caroteno. Algumas fábricas de lacticínios congelam a manteiga para que eles possam vender o ano todo a variedade mais amarela.


Mas, é claro, muitos produtores industriais de leite criam vacas sem nunca as ter colocado no pasto, neste caso a sazonalidade não faz diferença. Essas manteigas, são bastante comuns nos supermercados, e não são muito amarelas em qualquer época do ano.


"Nas comunidades agrícolas, na primavera a manteiga fica mais bonita: mais amarela", disse Khosrova. "É interessante que me acostumei com o pálido da manteiga. Agora, com o surgimento de manteigas artesanais que são mais douradas e amarelas, os chefs a querem sobre a mesa, então eu realmente me pergunto se as empresas vão começar a colocar mais cor".


Alguns produtores de leite comerciais para adicionar cor, geralmente usam urucum, que às vezes também é adicionado ao queijos para dar uma tonalidade amarelo-alaranjada. Urucum é um derivado de sementes da árvore de urucum, nativa da América Central e do Sul e cresce em regiões tropicais.


"Ver a cor pode afetar a forma como o nosso cérebro percebe o gosto", disse J. Kenji López-Alt, diretor de culinária do site Serious Eats e autor de "O Laboratório da Comida: Cozinhe melhor em Casa através da Ciência" (The Food Lab: Better Home Cooking Through Science).


"Então, se você tem essa sensação, pode apreciar mais sua manteiga".

Fonte: The New York Times




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25 de novembro de 2016

O Cérebro e os Alimentos



Nossa alimentação e estilo de vida tem muita influência sobre nosso corpo, nossa saúde, nosso humor e disposição. Este fato foi negligenciado por muito tempo, mas está voltando à cena com novos estudos comprovando a relação entre a comida, as bactérias do intestino e o cérebro.


Psiquiatria nutricional: Seu cérebro e os alimentos

Artigo publicado no Harvard Health Blog e traduzido por Regiany Floriano.

Por Eva Selhub, MD

Pense nisso. Seu cérebro está sempre "ligado". Ele cuida de seus pensamentos e movimentos, sua respiração e batimentos cardíacos, seus sentidos - ele trabalha duro 24/7, mesmo enquanto você está dormindo. Isso significa que seu cérebro requer um fornecimento constante de combustível. Esse "combustível" vem dos alimentos que você come - e o que há nesse combustível faz toda a diferença. Simplificando, o que você come afeta diretamente a estrutura e função de seu cérebro e, finalmente, seu humor.

Como um carro caro, seu cérebro funciona melhor quando ele recebe apenas combustível 'premium'. A ingestão de alimentos de alta qualidade, que contém muitas vitaminas, minerais e antioxidantes, nutre o cérebro e o protege do estresse oxidativo - os "resíduos" (radicais livres) produzidos quando o corpo usa oxigênio, que pode danificar as células.

Infelizmente, assim como um carro caro, seu cérebro pode ser danificado se você ingerir qualquer coisa diferente de um combustível premium. Se as substâncias de "baixa qualidade" oferecidas como combustível (como as que você recebe de alimentos processados ou refinados) chegarem ao cérebro, ele tem pouca habilidade para se livrar delas. Dietas ricas em açúcares refinados, por exemplo, são prejudiciais para o cérebro. Além de agravar a regulação de insulina do seu corpo, eles também promover a inflamação e estresse oxidativo. Vários estudos têm encontrado uma correlação entre uma dieta rica em açúcares refinados e a função cerebral prejudicada - e até mesmo um agravamento dos sintomas de transtornos de humor, como a depressão.

Faz sentido. Se o seu cérebro é privado de nutrientes de boa qualidade, ou se os radicais livres ou células inflamatórias danificadas estão circulando dentro do espaço limitado do cérebro, contribuindo ainda mais para danos no tecido cerebral, consequências são esperadas. O que é interessante é que, durante muitos anos, a área médica não reconheceu plenamente a relação entre o humor e a alimentação.

Hoje, felizmente, o campo florescente da psiquiatria nutricional está descobrindo que há muitas conseqüências e correlações entre não só o que você come, como se sente e como se comporta em última instância, mas também os tipos de bactérias que vivem no seu intestino.

Como os alimentos que você come afetam como você se sente

A serotonina é um neurotransmissor que ajuda a regular o sono e o apetite, mediar o humor e inibir a dor. Uma vez que aproximadamente 95% da sua serotonina é produzida em seu trato gastrointestinal, e o seu trato gastrointestinal é organizado com cem milhões de nervos, ou neurônios, então faz sentido que o funcionamento interno de seu sistema digestivo não apenas o ajude a digerir o alimento, mas também a conduzir suas emoções. Além do mais, a função desses neurônios - e a produção de neurotransmissores como a serotonina - é altamente influenciada pelos bilhões de "boas" bactérias que compõem seu microbioma intestinal. Estas bactérias desempenham um papel essencial na sua saúde. Elas protegem o revestimento de seus intestinos e garantem que eles forneçam uma barreira forte contra toxinas e "más" bactérias. Elas limitam a inflamação, melhoram a absorção de nutrientes dos alimentos, e ativam caminhos neurais que viajam diretamente entre o intestino e o cérebro.

Estudos têm mostrado que quando as pessoas tomam probióticos (suplementos contendo as bactérias boas), seus níveis de ansiedade, percepção de estresse e disposição mental melhoraram, em comparação com as pessoas que não tomam probióticos. Outros estudos compararam dietas "tradicionais", como a dieta mediterrânea e a dieta tradicional japonesa, com uma dieta "ocidental" típica e mostraram que o risco de depressão é 25% a 35% menor naqueles que seguem uma dieta tradicional. Os cientistas explicam que essa diferença ocorre porque essas dietas tradicionais tendem a ser ricas em vegetais, frutas, grãos não processados, peixes e frutos do mar e conter apenas quantidades modestas de carnes magras e laticínios. Elas também evitam os alimentos processados ​​e refinados e açúcares, que são a base do "padrão dietético ocidental". Além disso, muitos destes alimentos não processados ​​são fermentados e, portanto, atuam como probióticos naturais. A fermentação utiliza bactérias e leveduras para converter o açúcar dos alimentos em dióxido de carbono, álcool e ácido láctico, o que protege os alimentos contra a deterioração e ainda pode dar um gosto e textura agradáveis.

Isso pode soar improvável para você, mas a noção de que as boas bactérias não só influenciam o que seu intestino digere e absorve, mas que também afetam o grau de inflamação em todo o corpo, bem como o seu humor e nível de energia, está ganhando força entre os pesquisadores. Os resultados até agora têm sido bastante surpreendentes.

O que isso significa para você?
 
Comece a prestar atenção ao que acontece após comer diferentes alimentos, como você se sente - e não apenas no momento, mas no dia seguinte. Tente comer uma dieta "limpa" por duas a três semanas - o que significa cortar todos os alimentos processados e açúcar. Adicione alimentos fermentados como kimchi, missô, chucrute, picles ou kombucha. Você também pode tentar passar uns dias com uma alimentação livre de laticínios - e algumas pessoas sentem-se melhor quando tiram os grãos também. Veja como você se sente. Então lentamente introduza os alimentos de volta à sua dieta, um por um, e veja o que acontece.

Quando meus pacientes "seguem uma alimentação limpa", eles não acreditam no quanto sentem-se melhor tanto fisicamente como emocionalmente, e como eles sentem-se mal quando reintroduzem os alimentos que são conhecidos por aumentar a inflamação. Faça uma tentativa!

Para maiores informações sobre este tópico, consulte: Medicina nutricional como corrente principal em psiquiatria, Sarris J, et al. Lancet Psiquiatria. 2015

O campo da psiquiatria nutricional é relativamente novo, porém existem dados observacionais sobre a associação entre a qualidade da dieta e a saúde mental entre países, culturas e grupos etários - a depressão em particular. Aqui estão links para algumas revisões sistemáticas e meta-análises:


Há também duas intervenções atualmente sugerindo que a melhora da dieta pode prevenir a depressão:


A alimentação durante o início da vida também está ligada aos resultados de saúde mental em crianças (muito importante do ponto de vista da saúde pública):


Extensivos dados animais mostram que a manipulação dietética afeta a plasticidade cerebral e agora há dados de seres humanos para sugerir o mesmo:


Finalmente, embora ainda haja RCTs publicados testando a melhoria da dieta como uma estratégia de tratamento para a depressão, o primeiro deles está em andamento e os resultados serão publicados dentro de seis meses:


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23 de novembro de 2016

Os Médicos a as recomendações nutricionais

"Certamente é preferível ter um médico dando conselhos sobre nutrição ao invés de indivíduos não qualificados, muitos dos quais têm um produto ou programa para vender."


"Que seu remédio seja o seu alimento, e que o seu alimento seja o seu remédio"

Esta é a célebre frase de Hipócrates, um médico grego que viveu no período de 460 a.C. - 377 a.C., considerado o pai da medicina ocidental. Isto quer dizer que a saúde começa pela boca, então faz parte das orientações médicas, as recomendações sobre o que devemos e não devemos comer.


Um exemplo disto são os conselhos que o Dr Aseem Malhotra, um cardiologista britânico, dá aos seus pacientes em seu consultório: "Coma gordura para emagrecer. Não tenha medo da gordura, a gordura é sua amiga". Ele considera as orientações dietéticas que promovem os alimentos com baixo teor de gordura como "o maior erro na história da medicina moderna, resultando em consequências devastadoras para a saúde pública".

"Infelizmente este conselho inútil continua a ser perpetuado", disse ele. "Temos que mudar urgentemente a mensagem ao público para reverter a obesidade e diabetes tipo 2".

Assim como o Dr Malhotra, vários médicos sabem da importância das corretas orientações nutricionais principalmente na prevenção de doenças. O problema é que isto não é visto com bons olhos por todos da área médica...


Devemos encorajar os médicos a darem orientações nutricionais

Artigo traduzido por Regiany Floriano. O original está aqui.

Por Dr Peter Brukner, 

Mais de 1 milhão de australianos foram diagnosticados com diabetes tipo 2.

As últimas semanas têm sido interessantes para a medicina na Austrália.

Segunda-feira 14 de novembro foi o Dia Mundial do Diabetes, que foi marcado pela liberação de um relatório do Diabetes Austrália. O relatório afirmou que atualmente há mais de um milhão de australianos diagnosticados com diabetes tipo 2. O número total de australianos com diabetes pode ser de até 1,7 milhões de pessoas, pois o número de australianos atualmente com diabetes do tipo 2 não diagnosticada, a "silenciosa", é desconhecido.

Além disso, o número de pessoas com pré-diabetes e com alto risco de desenvolver diabetes tipo 2 é também desconhecido, mas estimado em cerca de 2 milhões. Complicações de diabetes são um importante problema de saúde com 4.400 amputações de dedos dos pés, pés ou membros e 3.500 pessoas com diabetes que necessitam de diálise renal somente nos últimos 12 meses.

Vimos a liberação de um relatório encomendado pela Medical Board, que mostrou que os médicos, juntamente com enfermeiros e farmacêuticos, são as profissões mais confiáveis na Austrália. O relatório afirma que 90% da comunidade confia em médicos e enfermeiras e 85% confiam em farmacêuticos (e 7% confiam em políticos!).

O terceiro item médico de interesse relacionado, foi a revelação de que um cirurgião ortopedista da Tasmânia foi proibido pela Autoridade Australiana de Regulamentação de Saúde (AHPRA) de dar orientações nutricionais a seus pacientes. A preocupação do Dr. Gary Fettke sobre o número crescente de amputações que ele era obrigado a realizar, como resultado de complicações de diabetes, o fez perceber que o momento em que esses pacientes o procuravam, era tarde demais.

Os espectadores do programa de domingo à noite no canal sete já devem ter visto uma série recente onde o Dr. Fettke e o chef Pete Evans orientam um ex-jogador de críquete da Tasmânia, Tony Benneworth, que tinha desenvolvido diabetes tipo 2, com uma dieta pobre em açúcar e carboidratos processados. Os resultados foram muito impressionantes, com uma dramática perda de peso (15 kg) e a reversão total da diabetes tipo 2 de Tony, que inclusive deixou de tomar todos os medicamentos para diabetes, sob a supervisão de seu médico de família, e com apoio nutricional individualizado da equipe Nutrição para a Vida incluindo Nutricionistas credenciados e um professor de diabetes.

De acordo com o Dr. Fettke, seu caso com a AHPRA começou em 2014 com uma notificação anônima feita por um nutricionista do hospital por encorajar as pessoas a reduzirem sua ingestão de açúcar. Uma outra notificação de 2016, novamente feita por um nutricionista anônimo, incluía uma queixa de "inverter inadequadamente o diabetes tipo 2 de um paciente".

De acordo com a esposa do Dr. Fettke, a nutrição foi considerada pela AHPRA como "prática fora da área de atuação" de um cirurgião ortopédico, mesmo que a maioria dos pacientes do Dr. Fettke tenha questões relacionadas ao peso e / ou diabetes.

Dr Fettke aconselha os seus pacientes a limitarem a sua ingestão de açúcar adicionado para os níveis recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e as nossas próprias diretrizes (CSIRO). A OMS recomenda não mais de 10 por cento e, idealmente, não mais de 5 por cento da ingestão energética diária deve vir de açúcares livres. Isto é o equivalente a 12 e, idealmente, seriam seis colheres de chá de açúcar adicionado por dia. A ingestão média pelos australianos é de aproximadamente 14 colheres de chá por dia, com os adolescentes consumindo consideravelmente mais. Pesquisas demonstram uma associação entre a ingestão de açúcar e as epidemias de saúde moderna como a obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Após uma investigação de dois anos, a AHPRA informou Dr Fettke recentemente que ele foi "não devidamente treinado ou educado como médico para prestar aconselhamento ou recomendações sobre este assunto como médico". Esta "cautela" que a AHPRA emitiu sugere que ele também está restrito de participar de qualquer projeto de pesquisa em "nutrição" para melhorar os resultados de saúde de seus pacientes. O Dr. Fettke foi informado de que não existe direito de recurso contra a decisão, embora um comunicado posterior da imprensa da AHPRA sugira que um recurso ao Supremo Tribunal seja possível (embora proibitivamente caro).

Também não está claro na decisão do AHPRA quais médicos estão autorizados a dar conselhos nutricionais e quais não estão. Todos os médicos recebem a mesma formação sobre nutrição (reconhecidamente muito pouca) durante os seus cursos médicos. Um número de profissionais como o Dr. Fettke, então continuam a explorar a ciência por trás nutrição mais plenamente.

O campo da nutrição está passando por um momento muito interessante com algumas crenças antigas sendo amplamente contestadas. Além disso, existem inúmeros "gurus" não qualificados que dão conselhos sobre o que devemos e não devemos comer. Certamente é preferível ter um médico dando conselhos de nutrição ao invés de indivíduos não qualificados, muitos dos quais têm um produto ou programa para vender.

Eu na verdade ouvi o Dr. Fettke falar em conferências sobre o tema nutrição e fiquei extremamente impressionado com a profundidade de seu conhecimento científico e sua paixão em fazer a diferença para seus pacientes.

Certamente devemos encorajar e não desestimular os médicos a fazerem recomendações sobre estilo de vida, numa tentativa de reduzir o rápido aumento do número de australianos que sofrem de obesidade e diabetes tipo 2. A decisão da AHPRA precisa ser revisada com urgência.

Dr Peter Brukner é professor de Medicina do Esporte em La Trobe University e organizador da campanha SugarByHalf.


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